2ª edição do Jornal Capital em Foco 

Carreira 4.0

Por Ângela Scórsin


Queridos leitores,


Primeiramente desejo a todos um 2019 recheado de Amor, Paz e Sonhos realizados. Para esta edição brindo-os com uma entrevista repleta de novidades e dicas para a entrada no mercado de trabalho neste ano. Minha entrevistada é Sarah Juliana Rosendo da Silva, 15 anos na área de Gestão de Pessoas, estudante do curso de Psicologia, Consultora de Recursos Humanos, Analista Comportamental, Trainer, Palestrante, formada em Life and Executive Coach pela Federação Brasileira de Coaching Integral Sistêmica, co-autora do Livro “Por Trás do Espelho” – obra dedicada ao desenvolvimento pessoal. Iniciou na área de RH no Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, e em sua trajetória atuou nos hotéis Royal e Golden Tulip Brasilia Alvorada, no escritório Roberto Caldas e Mauro Menezes Advogados, e prestou consultoria para as Embaixadas de Singapura, Holanda e Irlanda. Em 2009 montou uma brinquedoteca. Participou, ainda, na implantação da nova unidade do grupo ACREDITAR ONCLOGIA S/A - Clínica Oncostar na seleção de pessoal para todos os departamentos envolvidos, e atualmente é responsável pela gestão de pessoas da equipe de Cerimonial da Presidência do Senado Federal. O intuito desta entrevista é oferecer a vocês dicas, formas e caminhos de como se preparar para o mercado de trabalho para quem vai iniciar sua jornada ou mudar a trajetória. Este ano será de muita produtividade para todos os campos, então, temos que nos prepararmos com boas leituras, estudos e conhecimentos gerais. Sarah me relatou como os gestores estão atraindo novos perfis para as empresas. Vamos à entrevista?


Capital. Sarah, primeiramente obrigada pela sua disponibilidade em compartilhar sua experiência em gestão de pessoas. Antes de entramos no contexto profissional, fale-me um pouco de você.


Sarah. Tenho 34 anos, sou mãe da Julia de 16, Gustavo de 12 e Giovanna de 8 anos. Gosto de me sentir livre, adoro desafios, amo ler, assistir séries, viajar, e principalmente, estar perto dos meus filhos. Sou totalmente apaixonada pela minha profissão. Ainda falando sobre minhas paixões, não posso esquecer de mencionar o amor em promover ações sociais, meu aniversário é no dia das crianças e a há alguns anos escolho uma instituição para fazer a festa e quem ganha presente são as crianças carentes. Para isso conto com ajuda de vários amigos. Essa sou eu!

 

Capital. Como foi o início de sua trajetória profissional?
 

Sarah. Meu primeiro emprego foi como vendedora em uma loja de shopping, e aos 19 anos consegui um estágio na Coordenação Geral de Recursos Humanos do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Lembro que cheguei perdida, afinal eu não sabia nada, e a grandeza de estar no centro do poder me assustava. Tive muito apoio da minha chefe Judite Siqueira que, com muito carinho e dedicação, me ensinou tudo sobre aquela área. Durante o tempo que estive lá me dediquei e decidi aprender a fazer todos os serviços, e assim, vieram os frutos, fui efetivada, promovida algumas vezes e a cada dia sentia que estava no caminho certo. Após 5 anos no ministério, montei uma empresa onde fiquei a frente por 5 anos, mas foi quando iniciei no departamento de recursos humanos da hotelaria que tive a certeza absoluta que o RH era o que realmente me fazia feliz. Desde então, sou muito feliz profissionalmente. Hoje não importa a empresa ou a equipe que eu trabalhe, pois sei exatamente o que tenho que fazer. Meus valores pessoais e meu propósito de vida estão muito bem alinhados e direcionados a pessoas.


 

Capital. A formação em Coach ajuda nesse processo profissional de que forma?
 

Sarah. Ajuda e muito! Antes de ser uma profissional coach passei pelo processo de coaching, e ter vivido esse processo alinhado à formação, me tornou uma pessoa muito melhor em todos os sentidos. Depois do coaching fiquei mais positiva, objetiva, sei onde quero chegar e como chegar. Isso me torna uma profissional diferenciada, e um exemplo disso aconteceu recentemente quando participei da implantação da Clínica Oncológica; meu gerente Thiago Soares, por sinal um excelente gerente, sempre me deu total liberdade para realizar meu trabalho, o que é muito importante nessa área ter um superior que confia e acredita na sua maneira de trabalhar. Somos amigos até hoje! Bem, o Thiago me deu a missão de fechar mais de 30 vagas com cargos diferentes em aproximadamente 10 dias, como coaching aprendi a focar nas soluções, ter inteligência emocional e ter atitude, então esse tipo de demanda quando executada com o feeling que os anos de experiência proporciona e alinhando com a formação em coach, é sempre concluída com louvor.


 

Capital. Sarah este ano será de muita produtividade e inovação. Com a experiência que você tem em processos seletivos, qual é o perfil que as empresas aguardam para compor uma equipe? Quais habilidades estarão em alta?
 

Sarah. É muito importante enfatizar que a mão de obra humana está diminuindo cada vez mais, pois estão sendo substituídas por processos automatizados, com isso, a procura por candidatos que tenham conhecimentos tecnológicos está aumentando. É um grande diferencial conhecer as novidades tecnológicas e estar sempre atualizado. Já tive cases de sucesso onde o candidato não tinha experiência, mas passava confiança, segurança, tinha um marketing pessoal muito bom, e na maioria das vezes que arrisquei, deu certo. Mas independente de qual seja o perfil, as habilidades chaves são: integridade e coerência, flexibilidade, iniciativa, compreensão, competitividade, empatia, visão no cliente, persuasão, trabalho em equipe, autocontrole das emoções e agilidade para tomar decisões.
 

Capital. Chegamos na 4ª Revolução Industrial com a tecnologia dominando tudo, o que podemos esperar do RH 4.0?

 

Sarah. As mudanças causadas pela tecnologia são realmente incontestáveis. Essa revolução tecnológica também trouxe impacto para área de Recursos Humanos. A tradição do RH é que se tenha como tarefas atribuídas os pagamentos, encargos da folha, conferência de frequência, férias, dentre outras atividades manuais que ocupam a maior parte do tempo do profissional de RH, que acaba não priorizando promover o desenvolvimento dos profissionais da empresa. Mas com as constantes mudanças tecnológicas surge a necessidade de contratar a pessoa certa para o perfil de competência da vaga. Temos então o RH 4.0, que tem como objetivo enfatizar o desenvolvimento estratégico da organização, sempre com o foco na gestão e crescimento econômico. A tecnologia veio para otimizar a logística de recrutamento, de treinamentos e capacitação dos colaboradores. Posso citar o exemplo de quando trabalhei no escritório de Advocacia, o RH era em Brasília, mas existe unidade em São Paulo e Salvador, e eu realizava através de Skype os processos seletivos e minha colega Graciele Sousa realizava os treinamentos.
 

Capital. Dentro deste contexto tecnológico, qual a melhor forma de recrutamento em um processo seletivo? Qual o papel do candidato nesse novo modelo? Esse modelo serve para a área pública e privada?
 

Sarah. Processo Seletivo por competências e habilidades; nesse modelo usamos as entrevistas e as dinâmicas de grupo onde é possível analisar a maioria das habilidades e os fatores comportamentais necessários para vaga em questão como trabalho em equipe, liderança e criatividade. O candidato tem um papel importantíssimo pois o que conta é a maneira como ele responde as etapas do processo seletivo, sendo coerente e verdadeiro em suas respostas. Na proposta de competências (Soft Skills) o profissional do RH tem dados suficientes para argumentar porque determinado candidato deve ser selecionado ou não, pois os testes detalham a personalidade do colaborador e o que ele almeja no futuro, e o gestor do RH saberá se esse candidato está apto para a vaga. Em meu ponto de vista, esse modelo se encaixa muito bem para a área privada, mas não no setor público. A política do processo no setor público é totalmente diferente, não existe um processo seletivo, ou a pessoa ingressa por meio de aprovação em concurso ou é indicado para assumir um cargo comissionado. Dentro dos órgãos o setor de RH segue o formato tradicional. Exemplo: no órgão em que trabalho atualmente existem vários setores que são responsáveis pelo desenvolvimento dos servidores, tais como: o setor de Qualidade de Vida no Trabalho, a Diretoria Geral que proporciona várias ações, treinamentos e palestras ao longo do ano, um setor responsável só para o plano de saúde, outro para os Direitos e Deveres responsável pelas férias, e outro setor que cuida somente da frequência, e que agora são totalmente informatizados. Um sonho para qualquer profissional de RH. É a segunda vez que atuo em órgão público e nos dois casos as atividades que na empresa privada está toda direcionada para o setor de RH, no serviço público, as atividades são distribuídas por setores. Nas empresas privadas a tecnologia geralmente é mais avançada com processos iniciados através de plataformas online (testes de conhecimentos gerais, específicos e comportamentais), entrevistas virtuais e em alguns casos, o currículo tradicional não é mais solicitado, e sim, um vídeo sobre você.

Capital. Que dicas você nos propõe dentro desse novo RH 4.0 desde a elaboração do currículo e a sites de vagas para cadastro?


Sarah. Muitas pessoas cometem o erro de fazer um currículo muito extenso, com
informações desnecessárias. O importante é ter coerência na elaboração do currículo, ser objetivo, sincero, colocar as experiências mais recentes, fazer correção ortográfica, e quando for enviar o currículo por e-mail ter o cuidado de ser claro no assunto. O mais importante de tudo é buscar ajuda na hora de elaborar o currículo, na própria internet tem informações e modelos prontos, fazer com cuidado e atenção, pense que seu currículo é a porta de entrada para um possível novo emprego.

Depois do currículo pronto e bem elaborado, é importante que as pessoas se preparem para busca do emprego, estejam atentos aos sites de divulgação de vaga, mantenham uma rede de contatos ativa, tomem cuidado com as postagens nas redes sociais, nunca cheguem atrasados quando for a uma entrevista, cuidado com postura, apresentação pessoal e boa comunicação, pois às vezes para aquela vaga, o seu perfil não encaixa, mas o recrutador certamente guardará seu currículo para outro momento ou até mesmo indicar seu currículo para outra vaga ou para um colega de RH de outra empresa, e acredite: fazemos muito isso. Eu faço sempre!


E para finalizar, indico o site www.empregare.com, foi o que eu mais usei no último ano para realizar meus recrutamentos, e que para mim é o mais completo, tanto para o candidato, quanto para o profissional de RH que deseja fazer a captação de currículos. Esse site foi o que mais atendeu as minhas expectativas. Mas há também, outras opções muito boas: www.velirh.com.br; www.somadesenvolvimento.com.br; www.b2hr.com; www.catho.com.br


Depois de tantas informações importantes, reitero tudo que a Sarah nos disse, pois, aliado à tecnologia, o capital humano sempre fará a diferença, por isso, invista em cursos, palestras e/ou seminários. Gradue-se, faça especializações, leia muito, mas muito mesmo. E, claro, atente-se a essa nova geração 4.0 e conecte-se com o mundo sem perder a essência. Além de todos as habilidades que a Sarah explanou, criatividade é a palavra do momento, mas o equilíbrio emocional, também é um quesito muito exigido pelos gestores.


Então, vamos pensar fora da caixa? Isso quer dizer, mexer-se profissionalmente?

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Ângela Scórsin

Especialista em Assessoria Executiva e Secretária Executiva

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Sarah Juliana Rosendo da Silva, 15 anos na área de Gestão de Pessoas, estudante de Psicologia, Consultora de Recursos Humanos, Analista Comportamental, Trainer, Palestrante, formada em Coach pela FEBRACIS, coautora do Livro “Por Trás do Espelho” – obra dedicada ao desenvolvimento pessoal.

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Surge o RH 4.0, que tem como objetivo enfatizar o desenvolvimento estratégico da organização, sempre com o foco na gestão e crescimento econômico.

 

A tecnologia veio para otimizar a logística de recrutamento, de treinamentos e capacitação dos colaboradores.