4ª edição - do Jornal Capital em Foco

 

Empreender ou não empreender. Eis a questão!

Por Alessandra Aguiar

Quando fiquei desempregada ano passado, avisei para algumas pessoas que estava em recolocação no mercado.  Mandei mensagem para uma amiga e ela me respondeu com um áudio que, dentre outras palavras de incentivo, disse que eu era uma pessoa empreendedora e que esse momento seria propício para eu reavaliar a volta pro mercado de trabalho ou empreender novamente. 

Concordo com ela que sou empreendedora mas minha experiência como empresária foi um fiasco. Não tenho vergonha de dizer isso pois é a verdade e acho que as pessoas tem que saber que, nem tudo são flores quando você empreende e que erramos feio quando não estamos preparadas o suficente para dar esse passo em nossa vida.  Realizei meu sonho ao abrir meu próprio negócio em 2013.  Ainda estava trabalhando e conciliava as duas atividades na época, até eu ser demitida e passar a me dedicar 100% ao negócio. Foi quando abri uma Esmateria há 1 quadra do meu local de trabalho.  Por um lado foi bom isso ter acontecido pois confirmei aquela frase que diz que “nada melhor que o olho do dono para engordar o gado”.  Isso é primordial, ainda mais quando é uma sociedade.

Quando ainda estava trabalhando eu ouvia de tudo ao informar sobre minha empreitada, como frases de incentivo e de pessoas admiradas com minha iniciativa até coisas bem negativas onde diziam que poucas empresas sobreviviam há mais de 2 anos no Brasil.  Além disso, conto no dedo o número de Secretárias que apareceram na minha Esmalteria e até das funcionárias que trabalhavam no departamento. Confesso que essa parte foi bem decepcionante pra mim. Achava que todas iam lá me dar uma força. Mas isso não foi o pior. Minha empresa realmente não passou dos 2 anos. Foi muito difícil quando decidi que não dava para continuar na sociedade e então pedi para sair. Minha sócia resolveu continuar com o negócio mas ela não tinha a menor condição de gerenciar a empresa e alguns meses depois ela fechou a Esmalteria.

A história está resumida pois muitas coisas ruins também aconteceram mas não vou ficar aqui chorando pitangas pois o que quero passar é o seguinte: a gente aprende errando, errando e errando! Uma hora a gente acerta mas o caminho é tortuoso. Eu aprendi muito com essa experiência, descobri habilidades que não sabia que tinha, tive experiência de gerenciar uma equipe, cuidar do financeiro da empresa, do marketing, enfim, adquiri uma experiência que serviu para depois me recolocar no mercado. Então, nem tudo foi ruim né?

Eu posso dizer que não me arrependo de ter feito o que fiz e incentivo quem quer ser dono do seu próprio negócio, mas enfatizando que a preparação, estudo e dedicação são essenciais. Além disso, você tem que ser muito resiliente, paciente e saber sobreviver sem aquela grana certa entrando na sua conta todo mês. Com essa crise, muitos desempregados estão desistindo de voltar ao mercado de trabalho e resolvendo empreender. Se esse for seu caso, vá em frente, prepare-se e boa sorte!

AlessandraAguiarComsecRJ.jpg

Alessandra Aguiar