2ª Edição do Jornal Capital em Foco

 

Por Silvana Scórsin

 

VILMAR SIMION NASCIMENTO

39 anos, solteiro, Coordenador Geral da ONG “Programando o Futuro”, Formação: Marketing e trabalha com gerência de projetos há 15 anos.

 

Capital em Foco: Vilmar, fale sobre sua vida.

Vilmar - Eu nasci no Paraná, meu pai era operário da Usina de Itaipu, então, energia é uma coisa que eu conheço bem desde pequeno. Mudamos para Brasília quando eu tinha 9 anos e foi aqui que eu estudei, casei tive minha filha e consegui construir a ONG “Programando o Futuro”. Sou da área de informática, trabalhei como analista de sistemas, programador e em 2004 eu resolvi abandonar a vida de tecnologia para me dedicar única e exclusivamente as atividades que a ONG desenvolve.

Capital em Foco: E a sua trajetória profissional, fale um pouco dela.

Vilmar – Quando eu terminei o 2º grau, fui trabalhar como programador, web designer e analista de sistemas em uma fábrica de software, na Caixa Econômica Federal, onde eu fiquei por 5 anos. Era e ainda é uma área  ainda em ascensão, evolução, e que vai continuar por muitos anos, só que, ao mesmo tempo que tinha muito acesso à tecnologia de ponta, eu tinha uma preocupação muito grande com as pessoas que não tinham esse acesso  e então eu comecei a entender como a tecnologia facilitaria a vida das pessoas e o quanto ela exclui os que não tem acesso à tecnologia. A minha carreira é na área de informática e eu resolvi abandonar ela para me dedicar a isso, a melhorar a condição de vida das pessoas de duas maneiras, primeiro: fazer com que as pessoas tivessem acesso à tecnologia, e segundo: fazer com que as pessoas soubessem utilizar a tecnologia para melhorar suas vidas e da sua comunidade e seu dia a dia.

Capital em Foco: Então, você é o responsável pelo nascimento da ONG “Programando o Futuro”?

Vilmar- Eu, e mais quatro amigos fundamos a ONG “Programando o Futuro” no ano 2000, registramos ela no ano de 2002 e o nosso primeiro trabalho foi montar uma escola de informática comunitária. Inauguramos em dezembro 2000 e atendemos mais de 300 jovens ao longo do primeiro ano e com dois anos nós já tínhamos montado outras 20 escolas aqui em Brasília, começou a constituir-se em uma rede. A partir de 2003 nós colaboramos com o Governo Federal, Governo de Minas e do DF para montar outros projetos de inclusão digital. Ao longo desses mais de 15 anos de atividade nós possibilitamos a montagem do maior programa de inclusão digital do Brasil com quase 3000 telecentros implantados em parceria com o Banco do Brasil e com mais de 500 ONGs esparramadas pelo Brasil inteiro. Esse programa tinha suas principais unidades em comunidades de baixíssimo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), ele estava em todos os Estados, mas, por exemplo, o Estado de São Paulo tinha 22 unidades e o Estado do Maranhão 110 e o Piauí mais de 100, então, ele era um programa direcionado para pessoas com dificuldade no acesso, por não ter condições financeiras, ou dificuldades de conexão, como é o caso do Porto da Jurema, em São Paulo, que está em uma área um pouco mais de condição social e, no entanto, a conectividade era muito difícil.

Capital em Foco: Onde entra o Lixo Eletrônico?

Vilmar – Então, com o passar do tempo a gente começou a reaproveitar equipamentos que o Governo tirava de uso, que a população descartava ou que não funcionava mais ou que a Receita Federal apreende, enfim, todo mundo se desfaz de equipamento. Começamos a perceber que não tinha saída para o lixo eletrônico, tanto é que as pessoas chamavam de lixo, por não ter destino. O mais comum era colocar no caminhão e esse material ia parar lá na Estrutural. Nós gastamos 3 anos para entender do que eram feitos esses materiais, qual era a composição e quem poderia reciclar esse material e foi aí nós que criamos uma tecnologia chamada METARRECICAGEM. Hoje é uma tecnologia social aberta, qualquer pessoa pode ter acesso, e nós identificamos todos os recicladores no Brasil e fora do Brasil que absorvem esse material, então aquilo que era um problema da tecnologia depois do uso, nós acabamos desenvolvendo uma solução, que é a destinação correta para esse lixo em meados do fim do ano 2007 que era um momento que a população estava se conectando muito e trocando a tecnologia pela primeira e pela segunda vez. Hoje a nossa atividade é levar bastante referência por conta disso, por que garantimos a destinação, informamos o que acontecerá com cada material daquele e principalmente, a grande parte da população saberá que parte desse material é reciclável. O que nós fazemos na grande maioria é a Educação Ambiental. Educar a população a descartar esse material.

Capital em Foco: Diante do que você falou você sente que o meio ambiente é seu caminho, sua missão?

Vilmar – Eu acho que tecnologia é e vai continuar a ser minha paixão, mas a minha missão seguramente é o meio ambiente. O Meio Ambiente - vou te dar alguns dados precisos - para justificar minha paixão. Nós estamos em um planeta redondo que a área dele é muito bem calculada, e a gente sabem muito bem qual o tamanho desse planeta. O que tem fora dele é uma incógnita, mas o que tem aqui dentro é preciso para todo mundo. Tudo o que nós consumimos vem desse planeta, seja, água ou alimentação e a gente tem uma preocupação maior em extrair do que produzir, só não é maior para quem cultiva hortaliças ou carnes, mas no restante, tem sido uma extração desenfreada. Se, sabemos o tamanho do planeta e tudo o que tem dentro é finito e acaba minha missão é essa. Minha preocupação tem a ver com isso. Hoje o que nós chamamos da garimpagem urbana, ela tem a ver com a reciclagem final do lixo eletrônico: 1 tonelada de lixo eletrônico tem bem calculada a quantidade de minerais presentes, seja, cobre, alumínio, ouro, prata ou paladiun. Se você vai para a natureza a mineração tradicional é imprecisa, você pode tirar muito ou pouco. Então a minha missão é preservar o meio ambiente a partir do uso sustentável das tecnologias da informação e comunicação, ou a gente recicla ou um aparelho como esse que você está gravando esta entrevista daqui a 20 anos vira livro de história.

Capital em Foco: Sua meta de vida para o futuro em relação a sua carreira, sua família e com a sociedade?

Vilmar – Pelos próximos anos nós vamos montar o “Pólo de Logística Reversa de Eletrônicos do Centro Oeste”, o Brasil precisa ter pelo menos 5 grandes Pólos que dêem conta disso, e nós seremos o Pólo aqui no Centro Oeste. A minha missão de vida é trabalhar por isso, até o dia que eu não queira mais trabalhar, independentemente da idade e da condição. O meu sonho familiar, e eu até chorei o dia que eu ouvi isso, foi a minha filha perguntando quando que ela ia ter seu lugar na ONG. Eu não consegui responder hora para ela, mas hoje eu digo, que seguramente se esse for o desejo dela que um dia ela e os filhos dos meus companheiros de trabalho vão assumir e vou ficar muito feliz por isso. E meu sonho para a sociedade  talvez seja o mundo não precisar mais da instituição, que a população tenha condições, tenha educação, conhecimentos para fazer o descarte correto dos seus eletroeletrônicos e que tudo o que a gente faz que é muito bonito e está previsto em Lei um dia acaba e vai virando registro de publicações e matérias tão legais, quanto essa que você está fazendo (risos).

Capital em Foco: Wilmar tem um sonho?

Vilmar – pessoal ou profissional?

Capital em Foco: Qual o mais relevante para você?

Vilmar- (risos) Então, meu sonho profissional é a gente ter o Pólo de Meta reciclagem do Centro Oeste e que este Pólo seja referência mundial e que gera muitos resultados financeiros para que a entidade possa ampliar ainda mais a sua atuação. Já o pessoal (risos) vou até tomar uma água, acho que são tantos. Eu acho que um dos sonhos pessoais eu tenho é rodar o mundo contando a experiência que a gente tem aqui e compartilhando. Já esteve em Gana. Na África, que é o local que possui o maior lixão de eletrônico do mundo e eu pude compartilhar no local a nossa experiência, haja vista, um local que tem menos condição que a gente. Acho que eu ficaria muito feliz em palestrar e colocar nossa experiência em países como a Itália e a Alemanha que são referências mundiais no processamento de resíduos, ou em países como o Japão e a China que são referências Nacionais na produção da tecnologia.

 

Vilmar, muito obrigada! Sucesso!

 

Entrevista com Vilmar Simion Nascimento Coordenador Geral da ONG “Programando o Futuro” 

Silvana Scórsin

Mestre em Gestão e Avaliação de impacto ambiental e Especialista em economia e gestão empresarial

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