8ª Edição do Jornal Capital em Foco

 

QUERIDA DOROTHY!

 

Por Silvana Scórsin

 

Nada mais justo do que falar em minha coluna dessa gigante freira, mulher de todos os mundos, Dorothy Mae Stang. Para começo de conversa nada simples com ela, e tudo simples nela. Ela foi e será uma referência feminina ímpar de luta, coragem, sabedoria, persistência e humanidade. Têm em sua biografia, inúmeros acréscimos de bravura e defesa de lavradores e do meio ambiente.

Nasceu em 1931, em Ohio, Norte dos EUA, e aos 17 anos escolheu a vida religiosa, congregando-se as freiras Irmãs Nossa Senhora de Namur. Em 1966, já com votos perpétuos e com estudos completos  estava decidida a ensinar, e escolheu o Brasil para viver e aqui se naturalizou. Do Maranhão para a Amazônia, um projeto: gerar empregos e renda naquela região e lutar para o reflorestamento das matas e contra a degradação do meio ambiente.

Dorothy, querida Dorothy, até hoje é uma terra sem lei. Dorothy, querida Dorothy, até hoje as mulheres fazem parte de uma estatística de “feminicídio” no Brasil alarmante. Dorothy, querida Dorothy, o Brasil não avança em respeito aos valores de mulheres, as suas grandezas, lutas e igualdades. Bonito falar, bonito se autopromover, donas de si, mas não se empoderar.

Irmã Dorothy trabalhou firme para colocar trabalhadores na construção da Transamazônica. Coordenadora da Pastoral da Terra iniciou um trabalho árduo de intermediar lideranças locais, políticas e religiosas. Não é para qualquer um não! Já estabelecida em Anapu, Pará, onde a maioria de seus missionários migrou para a construção da BR, ela ensinava, não só a Bíblia, mas também a cada um os, “Direitos”,  “O ESTATUTO DA TERRA”, que, segundo ela, precisavam saber caso lhe faltassem alguém no futuro para  os defender. Aí eu digo: qualidade impar de mulher, a provisão, a capacidade de se preocupar com o futuro, e não só com o presente. Isso me remete a palavra sustentabilidade, que de certa forma me remete a palavra mãe. Puxa! Mãe natureza!

Querida Dorothy, nem preciso dizer que você não precisaria ser mãe efetivamente para sentir os cuidados e os instintos biológicos da maternidade. Sua história é de uma gestação plena, de amor e carinho, de entrega, e por final daquilo que só uma mãe é capaz de fazer: dar sua vida a seus filhos. No dia 12 de fevereiro de 2005, foi emboscada covardemente por três homens armados de pistolas, mas a Querida freira Dorothy, abriu a sua Bíblia e disse: eis aqui a minha arma! Ainda deu tempo de recitar um trecho da Bíblia antes de ser alvejada na cabeça e depois no corpo.

Querida Dorothy, ainda temos muitas mulheres lutando, e não vamos aqui desmerecer a luta de homens e nem de qualquer outro gênero, afinal, caráter, humanidade, respeito e competência são alguns  dons compartilhados por todos nós. O que quero hoje é apenas apartar os fracos, os corruptos, os covardes, os negligentes, os falsos, os mentirosos, sejam de qualquer classe, religião, sexo ou cor, para que saibam que todos os dias, mulheres, crianças, homens, homossexuais, negros, brancos, pardos, pobres e  ricos morrem por causa de suas ignorâncias.

Quanto às mulheres, tenho um recado a todas: amo ser feminina, festejo o dia da Mulher com muito orgulho de saber que “Dorothys” não ficarão só na história, serão lembradas e existirão sempre, jamais serão caladas. Orgulho-me de ver a posição delas no mercado, estando à frente em estudos, dedicação, lealdade e principalmente no reconhecimento de  grandes homens e mulheres mundo afora.

Um grande e particular abraço a toda a equipe feminina do Jornal Capital em Foco, que acreditam no poder de mudar a vida de homens e mulheres com suas experiências por meio de compartilhamento de ideias, informações, cases e histórias de carreiras que levam ao melhor caminho para o sucesso. Eu acredito em vocês!

Eu acredito nas mulheres! Parabéns a todas!

Silvana Scórsin

Mestre em Gestão e Avaliação de impacto ambiental e Especialista em economia e gestão empresarial

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