9ª edição - do Jornal Capital em Foco

 

O que será da ciência e pesquisa com tantos 

cortes de recursos?

Por Ana Cláudia Lima

Os acontecimentos mostram de forma bem prática o que está acontecendo com a ciência e a pesquisa no Brasil. O cenário de redução de investimentos que está acontecendo desde 2018, de acordo com o mais recente relatório de Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, de 2018, o Brasil investiu 1,26% do PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2017, valor abaixo de Coreia do Sul (4,55%), Japão (3,21%), Alemanha (3%), Estados Unidos (2,79%) e China (2,15%) — países que lideram a corrida tecnológica. Mesmo para os padrões nacionais, o dispêndio é baixo: em 2015, por exemplo, investiu-se 1,34%.

 

O fato de os aportes estarem minguando compromete não só o desenvolvimento interno com a estagnação da inovação, como também, planos econômicos. Os principais órgãos federais de financiamento a pesquisas — a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) — já sofreram, e continuam tendo cortes a Capes, ligada ao Ministério da Educação (MEC), e já anunciou que 11 800 bolsas não serão renovadas, uma redução de 12%. E, considerando que o orçamento da instituição caiu de 4,25 bilhões de reais para 2,2 bilhões em 2020, não se descartam novos congelamentos.

 

O CNPq padece do mesmo problema. Em setembro de 2019, depois de anunciar que faltaria dinheiro para pagar 84 000 bolsistas até o fim do ano, a diretoria clamou publicamente pelo apoio da população. Um abaixo-assinado, organizado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), conseguiu apoio de mais de uma centena de entidades científicas e acadêmicas do país, e de mais de 1 milhão de brasileiros, incluindo artistas e pessoas públicas. Como a previsão orçamentária para o CNPq permanece estável em 2020, na casa de 1 bilhão de reais, o órgão gerido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações seguirá na corda bamba, sujeito a ajustes para fechar as contas.

 

Como podemos observar no quadro abaixo, o CNPq sofre cortes há alguns anos. Enquanto docente em uma Instituição Federal, acompanho os cortes, não somente nas pesquisas, mas em quase todos os segmentos relacionados a Educação.

Infelizmente, a atitude dos governantes fez com que projetos, bolsas, incentivos e aplicações tenham parado. Precisamos ficar atentos e buscar implementação de políticas públicas para pesquisa, ciência e tecnologia.

 

Cortes e verba no CNPq reduziram nos últimos anos. Arte: Desafios da Educação.

Cláudia Lima 

Licencianda em Educação Profissional. Pós-graduada em Gestão de Pessoas, Bacharel em Secretariado Executivo Bilíngue.

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