Edição especial  do Jornal Capital em Foco

Quem toma a água de Brasília?


 

Por: Silvana Scórsin

 

 

Das cidades em todo o mundo, Brasília tem em seu lastro histórico desde a concepção até a sua construção uma imensa galeria de arte, arquitetura, paisagismo, história, cultura, misticismo, concretismo e, claro, áreas imensas de paisagens da Região do  Planalto Central do Brasil, a qual está a 1.200 metros acima do nível do mar com temperatura média anual de 19 graus, e vegetação típica do Cerrado, cuja fauna e flora se diversificam entre belezas e acertos da natureza rica deste tipo de Bioma.

Para concepção da construção de Brasília, então, nesta região, um minucioso estudo foi solicitado, e um grupo de expertises vieram para fazer o levantamento da topografia, do clima, da hidrografia, da fauna, da flora, da pedologia, dos recursos minerais e materiais de construção existentes na região. O relatório foi composto de textos descritivos, (português e francês na versão original) fotografias, tabelas, cálculos e croquis, além de um atlas com 83 caminhamentos (mapas) da região. Esse relatório tornou-se a referência para sinalização sobre a transferência da Capital Federal.

Hoje, 60 anos depois, é pouco tempo para se escrever toda a história de crescimento desta cidade. Brasília torna-se uma metrópole, gloriando-se de trazer para o centro oeste do Brasil desenvolvimento e riquezas, além de oportunidades infinitas de negócios com o mundo. Cosmopolita sim! Afinal elegante, gigante e acolhedora sem perder o charme do antes e o depois. Quem toma a água de Brasília, fica! 

Muitos foram e são seus desafios, desde a implantação até a sua explosão demográfica atualmente, como toda as grandes cidades, atraíram pessoas por oportunidades e empregos, gerando crescimento desgovernado, indesejado muitas vezes. Mas, Brasília tem se adaptado, recriando para prover seus habitantes. Para uma cidade administrativa criaram –se o comercio, os serviços e logo começaram a chegar industrias e pequenas empresas de agropecuária. Com várias vocações hoje, muitos moradores sentem orgulho da Capital, grande exportadora de bandas de Rock, de serviços de tecnologia e inovação, eventos, turismo, a vanguarda tem sido a linha de frente para essa para a gente de todo o Brasil. e do mundo que se juntam no quadradinho mais que perfeito do Centro Oeste do Brasil. 

Porém, não tão menos importante, a preocupação com o Meio Ambiente rege a pauta em muitos projetos e inovações na cidade. A reconstrução do Estádio Mané Garrincha, guardada as devidas especulações, foi totalmente concebido para ser altamente sustentável, com aproveitamento da água da chuva que é armazenada nas cisternas e utilizada nos vasos sanitários, mictórios, irrigação e lavagem em geral. Assim, também, o novo bairro nobre da capital, o Noroeste, que em plena construção e já habitado, e é projetado para ser o primeiro bairro ecológico do Brasil, onde os edifícios contam com energia solar, além de estar rodeado por áreas verdes, como o Parque Burle Marx e Parque Nacional de Brasília, e os blocos residenciais são dispostos de forma estratégica para aproveitar melhor a iluminação e a ventilação natural, oferecendo mais qualidade de vida.

Enfim, são muitos os casos de exemplos sustentáveis para a novinha Capital Federal do Brasil, mas um desafio se aproxima a passos mais largos que os avanços tecnológicos:  a escassez. Dentre as piores para a Região, está a água. Brasília está inserida em um ambiente de clima chuvoso e quente; e frio e seco, podendo ficar até 120 dias sem precipitações e com recordes de pouca umidade no ar, chegando até 10% em alguns dias do ano nos períodos de maiores secas, totalmente inóspito para seres humanos. Deste flerte, vimos a consciência do uso a partir de “ontem”, racional deste recurso finito um alerta para a mais plena sobrevivência das próximas gerações, uma vez que a cidade já passou racionamento diário de água.

Portanto, tanta beleza, tanta história e tantos belos projetos de vidas inseridas em uma cidade tão jovem, fica a dica mais especial de todo o contexto, a água é um dos maiores bens que Brasília deve proteger nas próximas gerações. Além dos efeitos das mudanças climáticas, a cidade planejada vem sofrendo com o desmatamento, a degradação do solo, assoreamento de mananciais e nascentes, excessiva impermeabilização do solo, com construções de novas vias e viadutos, e muitas construções clandestinas de poços artesanais. 

Que o presente maior de cada cidadão a Brasília seja a sua consciência sustentável dos recursos finitos, e principalmente a “água”. 

 

Silvana Scórsin

Mestre em Gestão e Avaliação de impacto ambiental e Especialista em economia e gestão empresarial

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