10ª edição - do Jornal Capital em Foco

 

Histórias de Brasília com João Carlos Amador

 

Por Karla Lopes

 

Brasília completou 60 anos. Sem festa. Em silêncio. Todos em casa.

Quando Dom Bosco previu o nascimento da cidade, ele não deve ter sonhado que celebraríamos uma data tão importante, em meio uma pandemia avassaladora. Quando Juscelino Kubitschek, com seus parceiros, Oscar Niemyer e Lúcio Costa, no processo de construção da cidade, não imaginaram que seria necessário atravessar o caminho de forma tão dolorosa e suada. Ou talvez soubessem, mas nos deixaram a missão de construirmos nossa melhor versão de sociedade. 

Aos 60 anos, Brasília não está velha. Está em constante nascimento. Com suas tesourinhas, com suas avenidas em forma de avião, com seus murais de Athos Bulcão, com sua terra vermelha, e o céu mais azul do mundo. Vamos caminhando em meio à Torre de TV, Torre Digital, Teatro Nacional, Esplanada. Nossa história é construída diariamente por gente de toda parte do Brasil, gente que sabe que por aqui não é só concurso público. 

Falar de Brasília, é sempre criar mais um capítulo, cheio de novidades e ipês coloridos. E conversar com quem fala com tanto conhecimento, é abrir a mente e o coração para uma cidade cada vez mais moderna, criativa, singular e plural na mesma cadeia de acontecimentos. 

Em sua 10ª Edição, o Jornal Capital em Foco, conversa com João Carlos Amador, publicitário, criador e administrador da revista História de Brasília, que nos leva do túnel do tempo para os dias de hoje. Uma conversa cheia de histórias, segredos, aventuras e diversão. Brasília e o Histórias de Brasília se misturam, e nos mostram como 60 anos é o portal para o que ainda somos capazes de construir, diariamente. 

João Carlos é formado pela Universidade de Brasília, com MBA em Marketing pela Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação. Atuou como Coordenador de mídias sociais na Presidência da República. É autor dos livros: Nonô – O menino presidente; O templo de JK, o Templo e Histórias de Brasília, em 4 Edições. 

O Histórias de Brasília nasceu no facebook em 2014 com a ideia despretensiosa de contar fatos da cidade. Em 2016, já dominava o Instagram e o Youtube. A revista veio em 2019, com o objetivo de mostrar o valor, a importância histórica e cultural, e manter sempre viva em nossa memória tudo que temos de bom como escada para nossas narrativas futuras. 

Capital em Foco - Conte-nos quem é João Carlos Amador – onde nasceu; onde vive, formação, vida familiar...

Nasci em Brasília, mas não morei na cidade a vida inteira. Como meu pai é militar, a família se mudava constantemente. Morei em Brasília até os 3 anos de idade, depois dos 8 aos 12 e, definitivamente, a partir dos 18 anos. Mas, como meus avós moravam na capital, vinha todos os anos nas férias e estabeleci uma relação sólida com a cidade.


Estudei na UnB e me formei em Jornalismo, com dupla habilitação em Publicidade. Mas sempre trabalhei em agências de publicidade atendendo contas de governo. Nos últimos tempos, fui para a comunicação dentro do governo.
Moro na Asa Sul, casado há 13 anos com Mariana Sanmartin, servidora do Senado. Temos dois filhos: Pedro, de 7 anos, e Cecília, de 2. Ambos brasilienses. 

 

Capital em foco - Como foi o processo de criação do Histórias de Brasília? 

Tudo começou em 2014, com uma página do Facebook feita de maneira despretensiosa para contar curiosidades da capital. O projeto foi crescendo e migrou para outras redes sociais, além de transformar-se em uma série de livros que começaram a ser publicados em 2016. Já foram 4 lançados, o último em 2019. Além da pesquisa em arquivos públicos, livros, revistas e jornais antigos da cidade, o conteúdo do Histórias de Brasília conta muito com o material enviado pelas pessoas que seguem as páginas.

Capital em Foco - De todas as histórias já contadas pelo Histórias de Brasília, qual é, em sua opinião, a que mais tem a cara da cidade? 

Acho que é a história da Vila Amaury, a cidade que está submersa no Lago Paranoá. O local era uma espécie de favela de candangos no terreno do futuro lago, que ainda não estava cheio. Os moradores foram retirados de lá pelo governo e transferidos para Taguatinga, Gama e Sobradinho em 1960, marcando o início dessas cidades. A Vila Amaury é interessante porque envolve construtores da cidade, a questão Plano Piloto/cidades-satélites e uma situação que acabou virando lenda com o passar do tempo. Muita gente não acredita que 20 mil pessoas moravam onde hoje é o fundo do lago.

Capital em Foco - Com relação à personagens reais de nossa história, quem seria o mais brasiliense de todos? 

Brasiliano da Silva, o primeiro bebê registrado em Brasília. Há muita controvérsia sobre ter sido ele o primeiro nascido depois da inauguração, pois vários alegam a mesma coisa. Mas, como naquela época poucos filhos de candangos se registravam em cartório, Brasiliano acabou sendo o primeiro filho “oficial” da cidade. O nome “Brasiliano” foi sugestão de JK, que foi seu padrinho junto a dona Sarah. 

Capital em Foco - Neste tempo de pandemia e com toda essa alteração da vida cotidiana, como imagina que esse período será contado futuramente? 

Provavelmente o fato mais marcante da pandemia em Brasília foi o cancelamento das comemorações dos 60 anos da cidade, que eram bem aguardados. Quanto aos hábitos das pessoas, creio que nada mudou substancialmente e nem haverá alguma mudança substancial no futuro resultado da pandemia. A população vai lembrar como um período em que se trabalhava de casa e as crianças tinham aula on-line. 

Capital em Foco - O que poderia ser diferente de 1960, se Brasília fosse construída na atualidade?

Acho que seria impossível Brasília ser construída na atualidade. Ela só foi possível em 1960 por uma conjunção de fatores históricos e pela reunião de gênios e pessoas extraordinárias em torno de um objetivo comum. Nada disso existe mais.

 

O quê nos aguarda nos próximos 60 anos? A história será sempre contada, por ângulos e sentimentos diferentes. Brasília, sempre será a Garota dos Olhos de JK, e para nossa alegria, seremos nós os responsáveis por tudo que virá. 

Que sejam anos felizes.

Karla Lopes 

 

Bacharel em Secretariado Executivo Bilíngue.

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