EXCLUSIVO - ENTREVISTA FEIRA DOS IMPORTADOS DE BRASÍLIA



SILVANA SCÓRSIN ENTREVISTA O SR. EDÍLSON SOUZA NEVES, VICE PRESIDENTE DA FEIRA DOS IMPORTADOS EM BRASÍLIA, MAIOR POLO COMERCIAL DE LAZER E ATUALMENTE UM DOS PONTOS TURÍSTICOS MAIS VISITADOS DE BRASÍLIA.


CAPITAL EM FOCO: SR. EDILSON, É MUITO MAIS, NÃO É?

Sr. Edilson: é verdade Silvana, então, vou começar bem do início. Eu acho que esse embrião nasceu lá em meados dos anos de 1990, nós éramos aí, praticamente uma receita turística, uma feira que nasceu do turista, na verdade, né? A feira quando ela nasceu ela era de pessoas que viajavam para o Paraguai como turistas e traziam aquela receita do turismo e tinham então aquele atrativo turístico (eletrônicos e outros) para as pessoas aqui da região. Então a concentração começou na 503/504 Sul à época, atrás de uma parada de ônibus em frente ao CASEBRE, e ela ficou ali até mais ou menos 1994 quando então foi transferida para aquele estacionamento de cima do Mané Garrincha.

Quando ela foi para foi para o estacionamento de cima do Mané Garrincha, juntou-se ali o pessoal, os criadores, os precursores da feira do Paraguai na época, que hoje é Feira dos Importados da 503/504, 509, itaú e acredito que o pessoal de Planaltina (não me recordo bem).

Então, ficamos ali, no estacionamento de cima por volta de um ano, e já em 1995 fomos transferidos para a parte de baixo do estacionamento mais organizados, tinham barraquinhas, não sei se você se recorda, mas eram amarelas, de ferragens e tal.

CAPITAL EM FOCO: ISSO NA CONDIÇÃO DE AMBULANTES?

Edilson:

Isso na condição de ambulantes.

CAPITAL EM FOCO: NADA LEGALIZADO?

Sr. Edilson: Até esse estacionamento posterior do Mané Garrincha não éramos legalizados, mas a partir de então que fomos abraçados pela administração pública de Brasília fomos organizados e a administração de Brasília fez nos juntar todos os camelos que trabalhavam em Brasília e aí já vieram pessoas do Conic, Setor Comercial e outros e isso juntou em torno de 1.264 barracas na época. Começou com 30, 120, 250 e depois já estávamos com 1264 e daí fomos obrigados a abrir uma empresa individual na época. Então os feirantes já começaram a abrir empresas e tal.

CAPITAL EM FOCO: ISSO EM QUE ANO?

Sr. Edílson: em 1995.

Sr. Edílson: quando nós fomos para o Mané Garrincha foi em 1994, teve essa mudança de lado e já começou essa parte do empreendedorismo, que eu costumo dizer, que a feira dos Importados hoje, é o maior projeto de empreendedorismo do Brasil, se não, da América Latina inteira, pelo sistema do modo organizacional que foi criado aqui. Então, prosseguindo nessa linha, ficamos ali, em 1995 e tivemos problemas com relação a tombamento, questão da área, que se tratava de área pública e teve todas essas situações. Então no Governo, acho do Cristovam, 1997, que houve um debate muito amplo pela Associação dos Feirantes, aliás, já estávamos organizados, e com licitação, Câmara, políticos e tudo e a situação do governo na época (em resolver) que então indicaram outras áreas porque não poderíamos ficar ali. Neste sentido, foram indicadas várias áreas para a gente, tipo, Asa Norte, SOF Norte e outras, e essa área aqui do CEASA e acabou que viemos para cá já com uma estrutura melhor, porque, na 504 nós não tínhamos nada, era no pano ou no tripé de madeira, no Mané Garrincha um guarda Sol, transferidos para cima uma barraquinha coberta por lona, e para cá (CEASA) já recebemos uma estrutura bem melhor, como: alguns banheiros, energia elétrica.



CAPITAL EM FOCO: QUAL ANO VOCÊS VIERAM PARA CEASA?

Edílson: Em julho de 1997 precisamente.

CAPITAL EM FOCO: EDÍLSON, ENTÃO, É SOBRE ESSE PERÍODO (1997-2020) QUE GOSTARÍAMOS DE QUE VOCÊ NOS FALASSE, POIS HOUVE UMA VERDEIRA DEMONSTRAÇÃO DE REVOLUÇÃO E CRESCIMENTO DE FEIRA DOS IMPORTADOS, PARA UM SHOPPING E CENTRO TURÍSTICO. E VOCÊ, EDÍLSON, FAZ PARTE DE TODO ESSE PROCESSO, NÃO É?

Sr. Edílson: como posso dizer, dentro do decorrer dos trabalhos que vimos desenvolvendo dentro da Feira dos Importados, logicamente eu não estou como administrador este tempo todo, eu era feirante, eu viajava para o Paraguai muitos anos, fui para lá pela primeira vez com 14 anos, dento de bagageiro de ônibus, então já tenho uma longa data em relação a este tipo de conhecimento. Hoje, sim estamos na parte administrativa. Eu costumo dizer o seguinte, porque a gente é o maior projeto de empreendedorismo voltados exatamente para o turismo. Nos saímos de uma condição de receita turística e aí, quando fomos para o Mané Garrincha, viramos atração turística, porque era ali próximos ao Mané Garrincha, o centro do Poder, as pessoas que vinham de fora ficavam curiosas, e era boca a boca na época, não tinha internet e nem rede social, o mundo não estava ainda tão globalizado nessa época, enfim, então era boca a boca mais as pessoas iam, mais por uma atração turística.

Quando viemos para cá (CEASA) com uma estrutura melhor, dar conforto melhor, e ao longo de 1997 para cá e mais ainda na questão organizacional e comodidade para receber os clientes e também para nós mesmos que trabalhamos aqui, nós passamos a ser um produto turístico pronto. Então nós estamos aqui hoje, saímos de uma associação, montamos uma cooperativa, compramos a área, nós éramos permissionários do governo, éramos uma feira pública de 1997 a 2008. Quando estávamos no Mané Garrincha éramos uma feira que tínhamos uma associação e não tínhamos organização. Já aqui no CEASA uma segurança de sermos permissionários, ou seja, vendo uma situação de uma futura possibilidade de adquirir a área e ter o direito de preferência. Então foi isso que aconteceu. Nós entramos como permissionários e hoje depois de quase 15 anos, nós nos organizamos em cooperativa.



CAPITAL EM FOCO: ENTÃO TODOS OS FEIRANTES HOJE SÃO DONOS?

Sr. Edílson: Donos. É.

Sr. Edílson: Em 2008 hoje uma licitação pública e fomos os ganhadores da licitação e passamos a pagar essa área e um financiamento da TERRACAP de 10 anos, que inclusive foi quitado esse ano que passou. Então hoje a Feira ela é composta por 2.100 bancas quiosques, certo! 48 lotes e pertence a 1.1170 cooperados.

CAPITAL EM FOCO: VOCÊS POSSUEM UMA ADMINISTRAÇÃO CENTRAL PARA MANTER A ESTRUTURA DE ÁGUA, LUZ, LIMPEZA DE ÁREAS COMUNS, SEGURANÇA, POSSUEM NORMAS E REGRAS?

Sr. Edílson: Nós temos um Estatuto e um Regimento Interno, então toda a administração é voltada para essas regras. Todos que entram para a Feira dos Importados, vão seguir as regras desse Estatuto e Regimento. Ele integraliza um capital social e obtém um número de matricula e passa a compor a COPERFIM , que é a Cooperativa das Feira dos Empreendedores da Feira dos Importados, então hoje são donos da COPERFIM estão sujeitos a direitos e obrigações, como trabalho, código de ética, normas como o respeito com as áreas comuns, com os próprios clientes e tal, e logicamente todos tem o conceito de trabalhar bem dentro de suas lojas e nós fazemos a administração geral global sem distinção, voltada para todos.



CAPITAL EM FOCO: EM SEU PLANEJAMENTO, TEM RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL?

Sr. Edílson: Temos. Nós fazemos. Nós fomos o primeiro centro comercial de Brasília a ter o PGRS – Programa Geração de Resíduos Sólidos – então, nós colhemos todo o nosso lixo que é produzido na Feira, que não é pouco, sólidos, recicláveis e demais, tipo, garrafas, nós temos uma área de reciclagem, nós reciclamos nosso próprio lixo. E o que não é reciclável, nós temos uma empresa contratada para o recolhimento.

Ainda, Recentemente, passamos por uma crise hídrica em Brasília, e neste espaço, como nós estávamos em reforma aqui na Feira, precisamente na cobertura dos corredores, e revitalizamos a parte nas nossa águas pluviais, que a recepção da água das chuvas do telhado é muita, nós construímos dois reservatórios de água de 7 metros de profundidade por 5 de diâmetro cada um e cada um armazena 80 mil litros de água e que tem um sistema de bombas inteligentes de que joga para mais duas caixa de mais de 50 mil litros, ou seja, nós temos então, em torno de 260 mil litros de água em períodos chuvosos de água para reduzir nossa conta de água em 50%. Toda essa água é usada em todos os banheiros que temos, só na área de descarga. Eu acho isso muito importante.

CAPITAL EM FOCO: MUITO IMPORTANTE SIM SR. EDÍLSON.

CAPITAL EM FOCO: SR EDÍLSON, O SENHOR ACHA QUE AINDA FALTA ALGUM TIPO DE FOMENTO DO ESTADO, GOVERNO PARA INCREMENTAR ESSE IMPORTANTE POLO COMERCIAL E TURÍSTICO DE BRASÍLIA?

Sr. Edílson: Olha, o que a gente vem tratando com o Governo, e essa semana (30 de janeiro/2020) tivemos uma reunião com a Sra Vanessa, Secretária de Turismo, que devem reativar os CATs (Centro e Atendimento ao Turista) e nós estamos com uma parceria aí, querendo levar nosso material para que possa ser divulgado lá fora, porque aqui dentro já está bem consolidada. Queremos aí, é uma luta nossa, junto ao Governo do Distrito Federal, que a Feira dos Importados seja reconhecida oficialmente como Polo Turístico de Brasília. É uma reivindicação nossa, a gente vem lutando a favor disso, pois é fato dizer que toda a pessoa que vem a Brasília, seja, aéreo, terrestre ou de carro mesmo ele tem que vir a Feira. Independente de receita, de dinheiro e questão cultural, pois tem gente que vem de fora para fazer compras mesmo, elas vem aqui na Feira, porque já souberam que aqui encontram coisas raras em eletrônicos e outros e nisso, essas pessoas fomentam o setor hoteleiro, de alimentação além dos outros pontos turísticos e assim essa importância deve ser reconhecida oficialmente.

Nosso lema é “Tudo em um único lugar”. É assim que todos nos veem, e assim que somos mesmo. Impressionante o que fazemos aqui. O que somos hoje.



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