FOCO ESPECIAL! ARTIGO DE PATRÍCIA SANTOS!

Como lidar com as emoções e com o medo de sair de casa pós-pandemia


Foto: BBC.com

Patrícia Santos, palestrante, escritora e especialista em Gerenciamento da Raiva

Fazer compras em lojas, ir ao cinema, ao trabalho ou a lugares públicos eram atividades que adorávamos desfrutar antes da pandemia. Mas, após tanto tempo em distanciamento, isolamento social e quarentena, para muitos esses eventos se tornaram um verdadeiro pesadelo. Usar o transporte público com muita gente, participar de reuniões presenciais de trabalho, atividades que sempre foram tão comuns, agora deixam as pessoas preocupadas ou estressadas, antes mesmo de se considerar o risco de infecção.

Tudo isso pode ser resumido à ansiedade pós-confinamento, ou seja, aquele medo ou preocupação de retomar o que antes era considerada uma vida normal ou o chamado FOGO – Fear Of the Going Out – o medo de sair. O resultado é uma nova onda de medo e ansiedade, ocasionada pela simples possibilidade de ter que sair de casa. E é mais comum do que imaginamos. Após tantos dias vivendo uma nova realidade, ganhamos a terrível sensação de que o único lugar seguro no mundo é o nosso lar e pode realmente parecer muito estranho sair. E o perigo mora na perda da confiança das coisas que não fazemos há muito tempo.

Uma pesquisa realizada na Inglaterra mostrou que, após a flexibilização da quarentena e a diminuição das restrições diante da Covid-19, mais de 60% dos britânicos se sentem desconfortáveis ​​com a perspectiva de voltar a frequentar bares e restaurantes, usar transporte público ou ir a um grande encontro, como um evento esportivo. A pesquisa apontou inclusive, o medo até de enviar seus filhos para a escola. Ainda segundo o estudo, mais de 30% dos entrevistados disseram que estão preocupados em ter que voltar ao trabalho ou encontrar amigos.

O mundo já presenciou outras pandemias e, aquelas que tiveram a necessidade de confinamento registraram picos quase universais de ansiedade, depressão e raiva. As pessoas apresentaram dificuldades para regular suas emoções epesquisadores descobriram que os traumas mais profundos só surgiram após o término dessas crises. Observaram também que pode haver aumento da insônia e abuso de substâncias ilícitas e bebidas alcoólicas.

Por esse motivo, é essencial cuidar da sua saúde mentalnão somente durante a pandemia, mas prepará-la também para o pós, já que assim como as crises anteriores, essa também vai passar. Algumas estratégias podem ser adotadas no dia a dia para isso. É preciso, principalmente, que as pessoas diminuama tensão que está associada à situação ou ao local.

Algumas dicas:

• Focar em táticas positivas de enfrentamento como exercícios, meditação, caminhadas ao ar livre (respeitando as normas de segurança atuais e locais) e tomar ar frescosempre que possível;

• Monitorar o seu diálogo interno e se questionar se os pensamentos são úteis ou se estão contribuindo para diminuir a ansiedade;

• Diminuir a quantidade de notícias absorvidas sobre a crise, a doença, a situação mundial;

• Ao dirigir, ouvir aquela música favorita e se permitir cantar junto;

• Enquanto estiver em uma fila ou aguardando para ser atendido, ter sempre a mão aquele seu livro favorito, de enredo leve e que traga uma sensação de calma e conforto;

• Se utilizar o transporte público for extremamente necessário, durante o trajeto, procure ver fotos arquivadas no seu celular para evocar boas lembranças da vida, principalmente de eventos antes da pandemia;

• Em reuniões de trabalho, lembre-se da importância de compartilhar ideias e manter a empregabilidade neste momento tão difícil que todos estão enfrentando;

• Se for necessário realizar uma viagem longa, aproveite para turbinar sua mente com jogos de lógica e atenção focada;

• Se conhecer alguém que está ansioso em ter que sair de casa, adicione humor ao dia dessa pessoa e fale sobre si mesmo pode acalmá-lo;

• Se sentir-se estressado, cansado ou ansioso, pare e respire calmamente por quatro segundos para inspirar e seissegundos para expirar. Preste atenção somente na sua respiração;

• O distanciamento físico não significa que você não tem a possibilidade de ajudar ou ser ajudado. Praticar boas ações durante a crise pode contribuir para nos sentirmos melhores e, de quebra, melhorarmos o mundo.

Muitas mudanças ocorrem pela forma como pensamos noscomportamos e nos relacionamos. Algumas serão temporárias, mas outras potencialmente permanentes, definindo nosso novo normal. Essa ansiedade persistirá por um longo tempo e mudará profundamente a maneira como as pessoas interagem. Mas, não podemos deixar que o nosso medo nos paralise. Somos incrivelmente capazes de nos adaptar a qualquer tipo de situação.

Sobre Patrícia Santos




Consultora, escritora e palestrante, docente em cursos de pós-graduação em diversas instituições pelo país. É especialista em Anger Management (Gerenciamento da Raiva), pela National Anger Management Association – NAMA de Nova Iorque, EUA, onde também é fellow. É coautora do livro “Raiva, quem não tem?”. A obra é um verdadeiro crossfit emocional que não só discorre sobre o tema, mas também ensina o leitor a medir, encarar, transformar e a seguir em frente.

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