Foco especial! Artigo: Inteligência Cultural - Uma Habilidade Global



Escrito por Leone Santos

           A primeira vez que conheci o tema inteligência cultural foi em um artigo da Sofia Esteves, fundadora e CEO da Cia. de Talentos. Logo depois, uma amiga, Marcela Brito, em um dos seus vídeos, abordou o mesmo tema. O termo foi cunhado pelo professor de psicologia e Ph.D Cristopher Earley. Entendo que o assunto é significativo, podendo ser mais disseminado.

Uma das razões que me causou interesse foi o fato de eu ser apaixonada por aprender novas culturas, nas suas mais diversas expressões: língua, história, hábitos, culinária, rituais, dentre outros.

Segundo Esteves, inteligência cultural nada mais é do que a capacidade de respeitar e se adaptar às interações com pessoas de culturas diferentes e usá-las a favor da construção de uma relação produtiva. (Habilidades do Futuro: Você possui inteligência cultural? Revista Exame, 10 de fevereiro de 2020)

Ao ler o artigo, percebi que tinha tal habilidade, bem como já investia nela. Só não sabia que para isto havia um nome. Cito exemplos: posso estar no Brasil e trabalhar para uma empresa na África ou a empresa na qual trabalho abrir uma sede em outro país. Para tanto, preciso conhecer, minimamente, a cultura e a maneira de trabalhar das empresas para realizar uma negociação; Como me comportarei quando for preciso me comunicar com os colegas de trabalho estrangeiros? Considero que, atualmente, as organizações não tem fronteiras, em especial no meio virtual, culminando em uma maior diversidade, seja diversidade de etnia, raça, faixa etária ou gênero. Toma-se o caso de organizações com times diversos que tiveram aumento de 77% de engajamento e 50% a menos de conflitos, de acordo com os dados da Harvad Business School citados no artigo.

Graduei-me em turismo. No curso, aprendi a riqueza que cada cultura tem e como devemos respeitá-la. Meu primeiro estágio foi na antiga e excelente companhia aérea Varig. Nela tive a oportunidade de conhecer mais sobre geografia e cultura. A cada cliente que atendia, um mapa virtual se abria diante de mim. Um passageiro queria ir para Saskatchewan. Outro, para o Butão. A saber: aquele, uma província Canadense; este, um país asiático.

Para atender a necessidade do cliente, necessitei estudar quais as rotas e companhias aéreas que chegavam ao destino. Reconheci que não tinha as informações no momento, mas pesquisei e pedi ajuda para atender a necessidade do cliente. Isto me faz lembrar sobre o que a autora Brené Brown chama de vulnerabilidade. Eu estava vulnerável na situação e reconheci que não tinha a resposta no momento. Recorri ao sistema utilizado pela Varig, além de abri um mapa mundial. Se antes já me encantava sobre geografia, depois do ocorrido, me apaixonei mais ainda. Desde então, sei onde fica no mapa a maioria dos países, qual a religião predominante no local, dentre outros

Ainda na própria Varig, depois de ser contratada, viajei pela primeira vez ao exterior. Estudava espanhol e inglês. Queria colocá-los em prática. Falácia total. Restou-me aprender mais. Fiquei boquiaberta ao ver museus, parques e ruas. A cada esquina, uma obra de arte. Não domino o tema arte. No entanto, sei conversar sobre o assunto. É o que chamamos de profissional plural, tema para outro artigo. 

Ao ministrar aulas em duas universidades e por necessidade profissional e de atualização, participei de eventos e feiras nacionais e internacionais sobre ecologia e modais de transporte. Não sabia eu que a Costa Rica era (e ainda é) um exemplo de turismo ecológico com áreas verdes preservadas. O país despertou-me a vontade de estudar sobre o mesmo.

Outro acontecimento que aumentou meu entusiasmo pela inteligência cultural foi trabalhar em uma representação árabe no Brasil. Lugar mais que oportuno para aprender e praticar a habilidade Inteligência Cultural (e emocional também). Qual era a cultura do local de trabalho? Como eram as relações de trabalho entre chefes e colegas? Somente na convivência foi possível praticar e afinar o tom. Três chefes árabes, cada um com jeito e ritmo de trabalho diferentes. Estrutura hierárquica, de controle. Seria muito difícil mudar o que já está enraizado na cultura da organização e de cada pessoa que eu tinha contato diário. Precisei ser inteligente culturalmente para ter uma relação produtiva e realizar meu trabalho com maestria. . 

Voltando ao artigo citado anteriormente, a autora diz que a inteligência cultural é uma habilidade composta de quatro fatores, a saber:

Fator Motivacional: é o gostar e procurar aprender. Ser curioso. Buscar informações. Aproveitar-se das vivências com outras culturas com o objetivo de aumentar o conhecimento. Viajou para o sul do Brasil? Quais as diferenças com a região que você mora? Como exemplo, na Varig e na representação árabe, quando tinha um tempo livre, buscava dados para utilizá-lo no trabalho e na vida. 

Fator Cognitivo: como os japoneses trabalham? Quais as normas mais importantes da cultura que influenciam as relações de trabalho e os relacionamentos de uma nacionalidade? Como é a comunicação entre empregados e líderes? Um exemplo concreto e recente: tive uma experiência profissional com uma brasileira, que mora nos Estados Unidos há 12 anos, e uma americana. Elas foram mais criteriosas, objetivas e detalhistas. Para chegarmos a um senso comum e ter um projeto aprovado, conversamos várias vezes e adaptei o documento com sugestões das mesmas. Somente depois de um mês, fechamos um acordo.

Fator Metacognitivo: relacionado ao entender o contexto do indivíduo dentro de sua cultura. É captar o texto dentro do contexto. No meu relacionamento com os chefes árabes, ao acontecer algum desentendimento, utilizei deste fator. Analisei: por que ele agiu assim? Foi algo pessoal? Fui eu quem errei? Acredito que para desenvolvermos o fator megacognitivo é necessário estudar, ler e conversar com pessoas de outros lugares.

Fator Comportamental: relacionado a como se comportar em um determinado campo cultural. Como agir diante de uma autoridade estrangeira? Por não saber, cumprimentei um senhor Iraniano. Para eles, é pecado tocar em uma mulher. Aprendi também que é falta de educação tocar nas pessoas na Alemanha. São reservados. Fui obrigada a comprar uma fruta na França porque a toquei. (uma amiga que mora na Alemanha me disse-: nós, brasileiros, temos a necessidade de ao ver, tocar, seja uma pessoa, ou seja um objetivo. Posso dizer que vemos pegando)

Os quatro fatores são considerados habilidades por Esteves. Melhor, habilidades para o futuro, condizente com o nome do artigo. Habilidade é a capacidade de utilizar o conhecimento, segundo Vicente Falconi. Considero que estamos em um momento em que há mais dúvidas que certezas. Se antes ter conhecimento era um diferencial, no momento, tê-lo é quase uma obrigação e colocá-lo em prática é mister. É ter empregabilidade e concorrer em um mercado de trabalho competitivo. Concordo com a autora quando ela afirma que inteligência cultural é uma habilidade e está no rol das soft skills, ou habilidades emocionais, usadas no contato com o outro, na maneira como reagimos a determinado conflito ou como nos comportamos em outra cultura.

Entendo que os quatros fatores estão interligados e são complementares. Abrir-se ao novo, e possuir um mindset de aprendizado e crescimento é um bom começo para expandirmos nossas habilidades emocionais, em geral, cada vez mais necessárias em uma realidade global.

Usemos de toda oportunidade que tivermos para desenvolver nossas soft skills habilidades e praticarmos o Life Long Learning, outra habilidade: a de aprender sempre e ao longo da vida. 




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