FOCO ESPECIAL! Como falar e divulgar de forma segura e responsável informações sobre o suicídio.


Por Leone Carneiro Santos


Setembro é o mês dedicado à prevenção do suicídio, tendo seu cume, o dia 10, no qual é celebrada a data da prevenção do mesmo. Todos os anos, e creio que este não será diferente, principalmente devido à pandemia, várias ações serão organizadas com o intuito de fomentar a prevenção. Uma relação entre a pandemia e o suicídio foi um artigo publicado no jornal O Globo de 30 de agosto de 2020. A reportagem afirma que há um receio do aumento de suicídio entre profissionais da saúde como consequência do COVID-19.

Falar sobre o mesmo gera receio, medo e outras sensações entre as pessoas. Podemos dizer que o assunto ainda é tabu como a depressão, por exemplo. Assim, quanto mais falamos e divulgamos informações sobre o assunto, estaremos ajudando a reverter este estigma. Porém, é de extrema importância que a maneira como a notícia é divulgada e falada. A título de exemplo: divulgar nas mídias e redes sociais uma carta de despedida de uma pessoa que morreu de suicídio. Acredita-se que esta ação não colabora em nada a maneira como deveríamos tratar o tema.

As informações acima e as que serão apresentadas a seguir fazem parte de um Workshop denominado Como Falar de Forma Segura sobre o Suicídio. O evento ocorreu no dia 01 de setembro de 2020 e foi organizado pelo Instituto Vita Allere, referência na prevenção e pós- vencão (trabalho e apoio dado com os enlutados) e tinha como público alvo profissionais da mídia e influenciadores digitais.

Já se conhece muito sobre o assunto. Porém, algumas questões ainda deixam questionamentos (a depressão é ou não a principal causa pelas mortes suicidas?). Podemos definir suicídio o ato de uma pessoa tirar a própria vida, em um momento de dor intolerável, interminável e inescapável (3I´s), não qual ela não enxerga outra saída (definição da autora). Como afirmado acima, ainda existem questionamento sobre o assunto, pois o mesmo é multifatorial. Vários fatores e contextos colaboram para o ato tirar a própria vida: sociológicos, culturais, econômicos, idade, gênero, psiquiátricos e psicológicos.

No que diz respeito à divulgação de atos suicidas, uma informação é importante: a Organização Mundial da Saúde (OMS) não afirma que não se pode falar sobre o assunto desde que seja de MANEIRA RESPONSÁVEL. E no que concerne às mídias e jornalistas, tanto a OMS como o Vita Alerre dão dicas sobre como abordar o tema de maneira saudável e responsável em reportagens ou vídeos. Eis o que deve ser evitado para que diminua a chance de a notícia influenciar, negativamente, pessoas que já tem predisposição para cometer o ato de se matar:

- Publicar fotos ou vídeos, tanto do ato como de familiares e velório;-

- Mostrar o método e locais (hot spots) utilizados. Exemplo: pular de uma ponte ou usar uma arma de fogo;

- Contar piadas sobre o suicídio e transtornos mentais;

- Evitar o sensacionalismo;

- Escolher, adequadamente, em qual seção da mídia a história será publicada. Exemplo: evitar primeira página de uma revista ou jornal;

-Pesquisar fontes diversas antes de publicar a notícia;

-Linguagem utilizada;

- Refletir: o que a mídia ganha e agrega com a publicação? Quais benefícios a reportagem traz para a sociedade?

Não temos dúvidas que os cidadãos e as mídias podem colaborar na quebra deste estigma. E como? Incluindo informações, tais como: locais onde procurar ajuda ou ter mais informações, como o Centro de Valorização da Vida, n° 188, histórias de superação e resiliência, mensagem que o suicido pode ser prevenido, ENCORAJAR as pessoas a procurarem ajuda, estimular grupos de conversas e debates saudáveis sobre o suicídio.

Algumas curiosidades sobre o tema: em vários locais do mundo, há lugares (hot spots) mais utilizados para praticar o ato; a cor amarela foi escolhida devido ao fato de um dos primeiras caso de suicídio ter ocorrido nos Estados Unidos dentro de um Mustang amarelo; homens praticam mais o suicídio que as mulheres; a faixa etária mais atingida é entre 15 a 29 anos; a cada vida perdida, há outras vidas envolvidas, como familiares; o número de profissionais da saúde que morre por suicídio é alta pois eles tem acesso à medicação de diversos tipos.

Apesar de setembro ser o mês da prevenção, acreditamos que todo dia é dia é útil para falarmos sobre o assunto. Acreditamos, também, que podemos quebrar tabus e ajudar pessoas próximas dialogando sobre o tema e observando os sinais que as pessoas demonstram. Sem dúvidas, conversar, francamente, sem juízo de valor e de maneira bondosa, é uma excelente estratégia de ajuda.

No Brasil, além da Vita Alerre (https://vitaalere.com.br/), temos associações que tratam o assunto: Associação Brasileira de Psiquiatria (https://www.abp.org.br/), O CVV (https://www.cvv.org.br/), já citado anteriormente, e órgãos do Governo Distrital (http://www.saude.df.gov.br/carta-de-servicos-caps/).

Por último, destacamos uma frase que parece óbvia, mas relevante: ninguém se mata feliz. Cuidemos da nossa saúde mental.

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