FOCO ESPECIAL O isolamento além das fronteiras

Por Karla Lopes




O Capital em Foco tem o dever social de neste momento de crise colaborar ao máximo com nossos leitores. Diante deste cenário de extrema angústia, afinal o COVID-19 não veio com manual, conversamos por whatsapp com personagens reais que moram em Lisboa, Buenos Aires, Gana e Bolonha, que nos relatam como está sendo passar por isso enquanto aguardam o retorno à vida normal:

Luciana Lustosa, Lisboa - Portugal - “Estamos vivendo um CAOS, muitos estabelecimentos fechados, somente farmácias e mercados abertos com horário reduzido e controle na entrada de pessoas. Infelizmente a cidade não está deserta como deveria. Muitas empresas, por exemplo,onde meu esposo trabalha, não fecharam. E vamos vivendo um dia após o outro. Meu esposo está mais apreensivo, acho que desliguei a chave do Corona da minha cabeça. Claro, preocupada estou né? Mas de boa”.  

Carolina Doffini, Buenos Aires - Argentina – “Eu estou em casa, fazendo minha quarentena obrigatória, com medo de sair, medo de ter contato com as pessoas e medo do incerto. Nessa situação conheço várias pessoas que estão em situação de vulnerabilidade como eu, por exemplo, que estou lutando sozinha todos os dias, para não pegar uma depressão por estar em casa trancada sozinha, sendo obrigada a fazer isolamento social, lutando para controlar minha ansiedade e meu medo! E principalmente,fortalecendo minha fé e minha esperança de que tudo isso um dia vai passar!”

Denilda Fernandes, Acra – Gana – “Vivo há 6 anos aqui. No dia 12/3 apareceram os 2 primeiros casos. O presidente veio a público dizer que voos vindos da China e Europa não podiam entrar no país. Pediu à população que lavassem as mãos e evitassem contato físico. Aqui as pessoas também são afetuosas como no Brasil e isso é uma grande preocupação. Hoje já são 52 casos e 2 mortes. Portos, aeroportos e fronteiras terrestres estão fechadas. Muitas empresas estão com home office. Mercados e comércio estão funcionando normalmente, mas todos nas ruas estão de máscaras e luvas. Todos estão com medo da incerteza do futuro. Não falo de um futuro distante, falo de um mês, uma semana. Aqui vai crescer vertiginosamente os casos. Pois como no Brasil existem as favelas, a pobreza, aqui existe a miséria. Falta saneamento básico, esgoto a céu aberto, aqui e em todo lugar. Pessoas morrem de malária, febre tifoide, cólera. O coronavírus vai ser somente mais um item na lista das doenças que matam aqui”.

Luciana Villanti, Bolonha – Itália - “Estamos no olho do furacão. A sensação é a de estado de guerra com toque de recolher contínuo. Nossa cidade conhecida como “Bologna: Culta, Gorda e Vermelha” (“Bologna: La Dotta, la Grassa, la Rossa”), terra da primeira faculdade do ocidente e segunda criada no mundo, com o aroma de suas especialidades gastronômicas no ar, e antigas construções de tijolos vermelhos, sempre alegre, viva, hospitaleira... agora silenciosa - somente o vento continua a sua cantoria, e lágrimas são sentidas nos lares daqueles que o vírus levou. É nossa terceira semana de quarentena e nos apoiamos uns aos outros através de mensagens, vídeos, abraços virtuais... Não há caos nem pânico. O mundo virou on-line, virtual. Há solidariedade e esperança. Desespero você encontra nos hospitais, que mesmo sendo de primeiro mundo ultrapassaram há muito a sua máxima capacidade. A ação imediata do Governo foi forte e imprescindível para que esta calamidade não tomasse proporções ainda maiores. Todos estamos trabalhando juntos como em um acordo mútuo, colaborando silenciosamente. A população está fazendo a sua parte ficando em casa, as raras exceções são prontamente denunciadas e punidas quando não justificadas. Somente mercados, farmácias e atividades de primeira necessidade continuam funcionando, e grande parte da população está optando por compras on-line. Fomos alertados de que os postos de gasolina entrarão em greve a partir de 25/3. Não me preocupo por mim com uma possível falta de combustível, mas com as instituições que estão trabalhando ininterruptamente e não podem parar, como por exemplo, o fornecimento de água, luz, esgoto e internet. Uma empresa de serviços de internet colocou à disposição de seus clientes 1 milhão de Gb gratuitos para o mês de março. Somos assim, solidários. O orgulho de ter a segunda maior população de idosos do mundo - ficando atrás somente do Japão, hoje é um dos nossos motivos de maior preocupação ao enfrentarmos o Covid-19. Temos esperança. Somos um povo corajoso e já enfrentamos muita coisa juntos. Não nos renderemos a este vírus. Juntos somos mais fortes. SOMENTE JUNTOS podemos lutar e estamos lutando bravamente aqui na Itália. Nossa vitória contra o Covid-19 é INEGOCIÁVEL.”

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