Foco Especial! Policiamento nas Escolas UMA BREVE HISTÓRIA DO TEMPO

Postado em 02/06/2020


Foto: D’Roza

Por:D’Roza

Os anos de 1950 e 1960 foram marcados por um intenso debate sobre a educação brasileira. Muitos intelectuais e movimentos sociais formularam propostas para a organização de um sistema nacional de ensino mais democrático e popular que superasse as desigualdades socioculturais, formasse cidadãos conscientes de seus direitos, e preparados para desafios econômicos. O Brasil era considerado uma pátria “mal-educada”, com índices de analfabetismo alarmantes. A polarização política que antecedeu ao golpe de 1964, também atingiu a educação. A sociedade brasileira fervilhava com projetos educacionais humanistas e inovadores, que mais tarde,sofreram diretamente os impactos da repressão.

O fato é que desde sempre, a educação no Brasil teve que passar por debates, tanto nos órgãos competentes, como nas inúmeras mesas redondas no Brasil afora. Eu mesmo, sou da época do ensino intermediário, estudei na escola municipal Profa. Hilda Viera no bairro da Marambaia em Belém do Pará, e entrei em muitas brigas estudantis, na luta para uma escola técnica na capital, e em vários outros municípios. Também, emmovimentos para melhorias da própria sala de aula. Lembro que eu e outros colegas começamos a juntar o próprio lixo dos corredores da minha escola, e depois nos unimos em mutirões para capinar e pintar a escola. NÃO! Eu não fui aluno modelo na minha época, reconheço isso, embora sempre passei de ano, etenha me dedicado ao esporte, como o atletismo, ganhando algumas medalhas nos jogos colegiais, o famoso “JEPES” - Jogos Escolares Paraenses - para minha escola. Eu era mais conhecido na diretoria, volta e meia, eu estava envolvido em algum tipo de confusão, e volta e meia, minha mãe tinha que frequentar a escola.

Foto: D’Roza


É! Esse era eu.  Confesso que antes de fazer essa matéria, era totalmente contra o tema, porque embora a Escola Profa.Hilda Vieira tivesse sempre uma viatura na porta, a criminalidade só aumentava,e me lembro bem das famosas brigas de gangues que invadiam as escolas de Belém.

Hoje, moro no Distrito Federal, sou casado com Lilian, e ela tem dois filhos,Alexandre de 12 anos e Rita de 14 anos, e nunca me imaginei casando, mas o dia finalmente chegou. Um dia fui ajudar minha esposa a comprar o material escolar deles, até que ela me falou que na escola da Rita tinha policiamento, e foi aí que procurei pesquisar o tema. A escola em questão fica no Recanto das Emas.


Foto: D’Roza


O Recanto das Emas foi fundado em 28 de julho de 1993 para atender a demanda de moradia pelo Programa de Assentamento do Governo do Distrito Federal, na época, o governador era Joaquim Roriz.

A área era ocupada por pequenas chácaras e possuía grande quantidade da planta característica do cerrado, a canela de ema, além de possuir um sítio chamado "Recanto".

O nome da cidade foi dado em referência ao sítio chamado "Recanto", e também,por ter uma planta típica do cerrado brasileiro, a canela de ema. Daí o nome - Recanto das Emas.

Aproximadamente, no final do Recanto,na quadra 308 fica a Escola CCMDF CED308 Colégio Cívico Militar Centro Educacional 308, a primeira Escola do Recanto a adotar o policiamento nas escolas.  

mais de um ano com o apoio da população, e também com inúmeros protestos contra, relatados a época pelo gestor da Escola, foi uma das 9 escolas do DF a ter o policiamento. As outras são:

1. Centro Educacional 03 de Sobradinho;

2. Centro Educacional 308 do Recanto das Emas;

3. Centro Educacional 01 da Estrutural;

4. Centro Educacional 07 da Ceilândia;

5. Centro Educacional Condomínio Estância III de Planaltina;

6. Centro Educacional 01 do Itapoã;

7. Centro de Ensino Fundamental 19 de Taguatinga;

8. Centro de Ensino Fundamental 01 do Núcleo Bandeirante;

9. Centro de Ensino Fundamental 407 de Samambaia.

Para o Secretário de Segurança Pública, o delegado Anderson Torres, a medida foi importante para unificar o formato já utilizado.

“Estamos satisfeitos com o patamar que o modelo das escolas cívico-militares está atingindo. A estratégia da Gestão Compartilhada tem sido efetivo apoio ao sistema de ensino local. Sentimos a confiança da comunidade escolar no modelo para que nossos jovens e professores possam ter tranquilidade pedagógica e de aprendizado em sala de aula.”


Foto: D’Roza


O histórico da Escola do Recanto, era de fato ruim para a implementação do programa? Avaliando a página daferramenta de pesquisa “google” na internet, para o antes e o depois, nãoencontramos nenhum comentário de seus ex-alunos relatando problemas da escola nos 20 anos de funcionamento, e segundo esses mesmos alunos, a escola ainda se encontra conservada em relação a tantas outras Escolas no DF. Para eles, a Escola está nova! Mas, falando com moradores ao redor, descobrimos algum tempo, que houve uma festa com alunos da Escola com bebidas e drogas. Outro morador relatou de um evento comroubo de um aparelho telefônico, e de brigas que saíram pelos portões, e até com tiros, na ocasião.

Conversamos com o diretor pedagógico, o senhor Marcio Faria, que já trabalha na Escola há mais de 19 anos, que confirma:“A Escola passava por uma situação muito difícil de fragilidades social, tráfico, brigas, e índice de Desenvolvimento Básico de Educação (IDEB) muito baixo”.

Quanto a tentativa de implantar o projeto na escola, devemos relatar nesta matéria, que houve resistência por parte de professores, e de líderes das comunidades, porém, a Escola realizouuma Audiência Pública, e ganhou apoio de todas as representações, como aRegional de Ensino, a Policia Militar, a Administração, a Equipe da Escola, e o Conselho da Escola, onde a primeira aprovação foi com 94%, e a segunda com 95%. Atualmente na Escola tem uma lista com mais de quatrocentos pais querendo vagas. A Sede 308 foi escolhido por várias razões, entre elas, por ser no final do Recanto, e pelo baixo índice de desenvolvimento. Hoje, a polícia só é chamada quando o problema já existe, porém, nesse caso, a polícia já se encontra para poder evitar a questão. Se o aluno vier a causar problema ao professor, passa-se para o monitor policial, onde é feita a convocação dos pais para procurar as melhores soluções para o transtorno. Hoje, nas Escolas “militarizadas” existem os gestores e oconselho disciplinar, que após ser feito todos os recursos para adaptação do aluno, ou seja, o registro e a presença dos pais, e se mesmo assim, o conselho não obter êxito, só então, é aconselhadoa transferência. Estivemos no turno da tarde na ocasião, e acompanhamos o intervalo e a saída dos alunos, e percebemos que no quesito, “disciplina”de fato a Escola está de parabéns! Claro que uma hora ou outra, vimos alunoscorrendo, e isso é normal, mas o respeito dos alunos dentro da sala com os professores e no pátio com os policias, podemos até dizer que a Escola não fica no Recanto das Emas. Destaque,também, para as salas e pátio limpos, nada de papel jogado na sala, e um silencio profundo nas horas das aulas.

Uma história dos dias atuais.

Antes de assumir o posto de xerife de turma em 2019, a rotina do estudante José Almir da Costa Lima era a de “tocar o terror”, como ele mesmo diz, no Centro Educacional 01 da Estrutural. As brigas com os colegas e a desobediência aos professores eram constantes – mau comportamento que se repetia dentro de casa. Até que em fevereiro, o pré-adolescente, hoje com 13 anos, imerso em uma realidade dominada pela violência, e pela falta de segurança, passou a conviver com a Polícia Militar do Distrito Federal. É que naquele mês, o Governo do Distrito Federal (GDF) deu início à gestão compartilhada.  Uma das boas novidades da nova gestão, o projeto desenvolvido pelas Secretarias de Educação e de Segurança Pública vem mudando a realidade de estudantes em situação de vulnerabilidade de escolas com baixa pontuação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

A média de militares nas escolas onde há gestão compartilhada é de oito policiais por turno – muitos com passagem pelo Batalhão Escolar. Eles cuidam desde a entrada dos alunos em sala de aula, até a reunião com pais de estudantes advertidos. Uma viatura fica no estacionamento da escola à disposição para qualquer eventualidade. Até os mais experientes perceberam que a dinâmica é desafiadora, apesar de compensatória.

A melhora na disciplina é evidente, garantem os educadores. Como há advertências e punições ao descumprimento de horário ou ao uso inadequado do uniforme, a pontualidade e o cuidado com a higiene pessoal,também mudaram.



“Lidamos com uma comunidade carente onde, muitas vezes, falta o básico dentro de casa, inclusive carinho e atenção. Temos alunos que vivem em áreas de invasão, onde os recursos são ainda mais limitados e precários”, explica a diretora da unidade de ensino, Estela Accioly.

O CED 308 tem aulas de música e canto no contraturno, além de ordem-unida. Um suporte dado pelos policiais, que se unem inclusive para arrecadar tênis para crianças que estavam indo para a escola de chinelo.

A realidade social dos estudantes na unidade de ensino merece atenção. Segundo o tenente Mário Vitor Barbosa, coordenador da equipe de policias do turno da manhã, de 40% a 60% dos alunos têm um dos pais recolhidos em presídios ou em regime semiaberto. “A violência na comunidade é muito presente”, resume o militar. Segurança e tranquilidade nas unidades escolares levam ao bom rendimento dos alunos.

Apesar de sua experiência com estudantes em sua passagem pelo Batalhão Escolar do Distrito Federal, o tenente, pai de três filhos, diz estar vivendo um grande aprendizado. “No começo eu ia para casa ansioso, acelerado, com vontade de ver logo os resultados. Até perceber que, na educação, eles não vêm de um dia para o outro. É preciso ser persistente, repetir sempre os comandos e os ensinamentos – e percebo isso, inclusive, com meus filhos. Ao longo de quase um ano, percebo e comemoro nossos avanços”.

Orgulho do diretor Márcio Faria, a mudança no comportamento de estudantes indisciplinados é evidente. Seu tempo de trabalho, antes dominado por controlar infrações escolares, e se preocupar com os casos de violência dentro e nos arredores da unidade, hoje,já são voltados para o plano educacional.

O projeto de gestão compartilhada nas escolas do DF já é aplicado em outros Estados. Recentemente lançado em âmbito nacional pelo Ministério da Educação, trata-se de um modelo simples: melhorar o rendimento escolar de estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, e do ensino médio por meio da disciplina e da segurança. Tudo isso envolvendo a comunidade, estimulando a participação dos pais na vida escolar dos seus filhos, e auxiliando os professores na condução dos alunos – sem interferência alguma dos policiais no conteúdo ditado por docentes em sala de aula.

No primeiro semestre no ano passado,quatro unidades de ensino aderiram ao projeto. No segundo, mais quatro, e em 2020, o trabalho compartilhado entre educadores e a Polícia Militar chega a 12 escolas – duas delas geridas pelo Ministério da Educação.

Entusiasta, o governador Ibaneis Rocha considera a gestão compartilhada “um projeto vitorioso”. A ideia do governador é chegar a 40 unidades de ensino até o final do mandato, e incluir a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros no projeto.

“Você notou que praticamente não há mais oposição? Em qualquer lugar que eu vá recebo o pedido de aumentar o número de escolas compartilhadas. Em todas as que adotaram este regime, o índice de violência e a instabilidade caiu na mesma proporção em que subiram os índices de aproveitamento escolar”, comparou Ibaneis.

O administrador regional do Recanto das Emas, Carlos Dalvam, relata que o programa é de suma importância, e que está lutando para trazer novos recursos para a cidade.

Para concluir, coloco o ponto da Corea do Sul, que apostou na educação, e ela pode vir a passar a renda per capita dos Estados Unidos. Será que não está na hora de deixar o politicamente correto, e partir para que de fato interessa?

Para refletir: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” Nelson Mandela

Agradecimento: Professora e coordenadora Sandy dos Anjos que nos deu todo a atenção para esta matéria.

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