FOCO NA CULTURA! Academia Taguatinguense de Letras completa 35 anos de fundação e oito de tombamento


Postado por Silvana Scórsin



Texto de Maria Félix Fontele



A Academia Taguatinguense de Letras (ATL) completa 35 anos de fundação e oito de tombamento


Neste 9 de abril, a Academia Taguatinguense de Letras (ATL) comemora 35 anos de fundação e oito de tombamento como Patrimônio Cultural, Material e Imaterial do Distrito Federal, reconhecida pelo poder público – Governo do DF e Câmara Legislativa do DF. As festividades têm caráter reivindicatório, uma vez que a instituição corre o risco de perder a sua sede, localizada, há 12 anos, no Espaço Cultural Teatro da Praça, de Taguatinga, diante de uma eventual necessidade de ceder o local para projetos do Governo do Distrito Federal.

O presidente da ATL, o escritor Gustavo Dourado, lembra que com o tombamento, assegurado pela Lei 5159 de 2013, regulamentada pelo decreto 35.549, de 18 de junho de 2014, a entidade ficou consolidada no Complexo Cultural EIT, conforme consta no DODF. “Foi uma grande conquista para os escritores e para a academia, a única tombada no Centro-Oeste e uma das poucas no Brasil a ser reconhecida e a carregar importante título”, observa. Segundo ele, mesmo assim, a instituição tem sido alvo constante de ameaças de perder a sua sede.

Dourado destaca que os acadêmicos (titulares, honorários, pesquisadores, beneméritos colaboradores e correspondentes) receberam diversas Moções de Louvor da Câmara Legislativa do DF e de outras instituições pelo trabalho em prol da cultura e da educação. Em 2017, a ATL lançou a sua primeira antologia, com a participação de mais de cem escritores do DF, com distribuição gratuita em cerca de 200 escolas da rede pública do DF. Além disso, participou de quatro Bienais Brasil do Livro e da Leitura, de cinco Semanas Nacionais de Ciência e Tecnologia, de oito Feiras do Livro do DF, da Feira Literária do Distrito Federal, (Fli/DF), Congresso Mundial da Água, Congresso Mundial dos Direito Humanos, entre outros eventos.



Mensagem ao governador



A deputada distrital Jaqueline Silva enviou, no início de abril, mensagem ao governador Ibaneis Rocha solicitando que ele “dê atenção especial à academia e garanta aos acadêmicos o espaço que é necessário para que continuem exercendo essa importante e rica contribuição para o crescimento literário do DF”. Jaqueline justificou que “é graças a sua representação que escritores, professores, leitores e pesquisadores participam de feiras de livros e leitura, bienais e fóruns em todo o país”. A deputada lembrou ainda ao governador que “a ATL já foi reconhecida pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, a qual adquiriu mais de 300 livros e folhetos de cordel de seus autores”.

No último dia 5, o administrador de Taguatinga, Renato Andrade, garantiu, em reunião com os diretores da ATL Admilson Queiroz e José Maria da Silva Mourão, representando o presidente da entidade, Gustavo Dourado, que a ATL será mantida no espaço onde se encontra por força da lei e do decreto de tombamento. Segundo ele, a instituição será, posteriormente, incluída nos projetos culturais propostos pela Administração Regional.



Manifestação dos acadêmicos



O acadêmico Astrogildo Miag afirma que é “inconcebível a inquietação em relação ao espaço/sede da Academia Taguatinguense de Letras, entidade que sobrevive graças à dedicação e persistência dos escritores mantenedores”.

A escritora e professora Hilda Mendonça, fundadora da ATL, destaca que a instituição “é fruto do esforço diuturno de pessoas que amaram e amam a cidade, sua gente e quer que Taguatinga se orgulhe de sua cultura, das letras taguatinguenses e, por isso, sua sede precisa ser mantida”.

“Neste momento, junto-me às vozes que clamam pela permanência da ATL em sua sede, no Centro Cultural de Taguatinga, proporcionando que a instituição mantenha o exercício de suas atividades socioculturais junto à comunidade”, observa o escritor e poeta Ildefonso de Sambaíba, membro-titular da ATL.

Antônio Carlos Sampaio Machado, escritor, promotor cultural e membro da instituição, ressalta que “além dos decretos do Executivo e Legislativo, a sociedade do DF legitima o espaço e o valor de academia como bem da educação, arte e cultura”.

Emanuel Lima, escritor-membro da ATL, lembra que a entidade contém um acervo de livros e pinturas sobre a história de Taguatinga, incluindo o hino da cidade com partitura e tudo, escrito em 1965 pelo Professor Chico Bento”.

Os acadêmicos José Aureliano dos Reis e Pedro Gomes da Silva também se manifestaram. Aureliano comenta: “A ATL não pode ser despejada de sua sede pelo poder público seja a que pretexto for”. E Pedro Gomes disse esperar “que os governantes respeitem as normas legais e mantenham a ATL no espaço que ocupa há 12 anos”.



Depoimentos dos amigos e parceiros da ATL



O presidente da Academia de Letras do Brasil e do Conselho Nacional das Academias de Letras do Brasil, escritor e professor Mário Carabajal, em mensagem à ATL, lembra que “a cidade de Taguatinga é referência para o Brasil na arte das letras, encontrando-se a Academia Taguatinguense de Letras como centro difusor da literatura emanada pelo Distrito Federal e pelo Estado de Goiás”.

O ator, diretor e produtor cultural Gilson Montblanc comenta que “o espaço é do povo e a cultura literária é do povo!

“Um absurdo a ATL, uma instituição literária importante para o DF, vir a perder sua sede”, reclama Gilbson Alencar, escritor da ALB/DF e vice-presidente do Sindescritores.

O presidente da Academia Candanga de Letras e membro da ATL, o escritor e poeta Affonso Gomes, declara: “É inadmissível que uma conquista tão aplaudida pela classe literária do Distrito Federal seja simplesmente dizimada por pessoas que não têm compromisso com a cultura de Brasília; a Academia Taguatinguense de Letras (ATL) é um patrimônio cultural do DF e deve ser respeitada pelas autoridades e mantida na sua sede atual”.

O coordenador de produção da Feira do Livro de Brasília, Luciano Monteiro, afirma: “A Academia Taguatinguense de Letras sempre teve um papel de grande relevância não só no meio literário da cidade de Taguatinga, mas também em todo o universo da educação e da cultura do Distrito Federal. Fica ATL”.

O professor, escritor e analista judiciário Elias Antunes, morador de Taguatinga, ao defender a manutenção do espaço da ATL ressalta que a entidade “é uma das mais atuantes de forma efetiva e transformadora, seja no fomento da cultura, da literatura e das artes, seja no embasamento para que surjam novos talentos”. A Academia Taguatinguense de Letras é a mais atuante do Distrito Federal e desempenha um trabalho essencial para a sociedade e a cultura no DF.

O jornalista e poeta Nonato Freitas, em Portugal, salienta que desmontar a ATL significa “trucidar sonhos não só de artistas das letras e de outros segmentos culturais do DF, mas também de toda a sua população”.

João Pedro Pereira Rocha, professor e escritor e diretor de Projetos e Eventos da ATL, salienta que a entidade é um espaço que leva o nome de Taguatinga e merece o cuidado e um trabalho de fortalecimento da mesma para que os moradores da comunidade continuem tendo um espaço de representação cultural no campo da literatura”.

A cineasta, poeta e artista Maria Maia manifesta-se: “Viva a ATL, deixem no lugar esse templo da palavra”.

“É lamentável que uma instituição como a Academia Taguatinguense de Letras, que tão bem representa as manifestações culturais e a história de Taguatinga, esteja na iminência de perder o seu espaço-sede”, comentou o poeta e escritor Herbert Lago Castelo Branco.

“Vamos abraçar esta causa e sermos solidários na defesa da Academia Taguatinguense de Letras, pérola do património de identidade e raízes da nossa cultura. Unidos somos fortes e eficazes”, comenta o professor e pesquisador Deusaniro Junior, analista Judiciário do Supremo Tribunal Federal.

O professor Marco Aurélio Silva, da Secretaria de Educação do Distrito Federal, ressalta: “A Academia Taguatinguense de Letras precisa do apoio governamental, especialmente da Secretaria de Educação e de Cultura, da Secretaria de Cultura e da Administração de Taguatinga, e não do desprezo e ameaças de perda de sua sede, tombada como patrimônio há anos”.

A escritora Gracia Cantanhede conclama: “Lutemos em prol da permanência da ATL no espaço que ocupa há anos”.



Texto de Maria Félix Fontele

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