FOCO NA EXCLUSIVIDADE MÊS DAS CRIANÇAS! MÃE DE SETE!



foto: arquivo pessoal

Por Karla Lopes


Com exclusividade, o Jornal Capital em Foco conversa com uma mulher que tanto contribui para o nosso desenvolvimento como sociedade. Seu exemplo, sua personalidade e seus ensinamentos, são de extrema importância e cuidado.

Julyana Mendes Caiado – O objetivo de nossa matéria é prestar uma homenagem às crianças através de uma conversa sobre como é ser Mãe de Sete, e como é conviver com filhos que são muito certamente, parecidos e diferentes.

Queremos que todas as famílias se sintam acolhidas dentro de qualquer dificuldade que é criar uma criança e mostrar, que ainda assim, é uma grande e gostosa aventura.

1) Capital em Foco - Resumo da trajetória pessoal e profissional: Quem é Julyana Mendes Caiado?

Mãe de primeira viagem aos 17 anos. Aprendendo a ser mãe, mulher e profissional, tudo ao mesmo tempo. Filha de uma mãe forte e de um pai que me criou para ser a próxima executiva da família. Aprendi cedo as dificuldades de um divórcio e as armadilhas de “não precisar de ninguém”. Mais cinco filhos, sendo trigêmeas, mais uma separação, terceiro casamento e o sétimo filho. Minha jornada me levou a buscar mais conhecimento sobre a maternidade. Meus erros e acertos me levaram a perguntas que, apenas com muito estudo, fui capaz entender e montar as respostas, que não são exatas, mas servem como guias para diversas áreas da vida da família e da mulher.

Hoje, a mãe de primeira viagem de 17 anos se tornou Educadora Parental pós-graduada, com diversas especializações nacionais e internacionais, palestrante, criadora de curso online e colunista da revista Crescer. Meu propósito sempre será buscar como educar melhor e contribuir para melhor futuro dos meus filhos. E isso,passa por me entender como mulher, esposa e profissional também.

Uma pergunta que sempre faço para quem me segue: o que você deseja quando imagina o seu filho com 30 anos? Que tipo de pessoa ele será? Quais qualidades e valores você preza que ele tenha? Agora que você já imaginou, o que podemos fazer? Qual tipo de educação, quais valores você pode passar para que ele seja tudo isso que ele pode ser? Tão importante quanto: você tem essas qualidades e crenças trabalhadas em você? O seu casamento contribui para sua imaginação se realizar?

Foto: arquivo pessoal

2) Capital em Foco – Quando você olha para trás, após nos contar sua trajetória, quando você era criança, quais eram seus sonhos? Imaginava em algum momento que seria quem é hoje?

Eu fui criada para ser forte, para tomar decisões e comandar. Apesar de eu ter outros 2 irmãos, meu pai me tratava como a sua sucessora. Ele me dizia e repetia para os amigos e colegas de trabalho que eu seria a próxima a tomar o comando. Me criava para ser a executiva, para não precisar de ninguém e essa trajetória também me afastou das questões da casa. Então, meu caminho estava claro. O sonho do meu pai virou o meu sonho também e eu segui a realização desse sonho me formando em Engenharia Civil e tomando, por um tempo, o controle dos negócios da família. Eu nem imaginava que depois de um caminho tão bem traçado eu iria deixar isso tudo para me tornar o que sou hoje, mas de certo a criação que meus pais me deram sobre força e poder de decisão foi crucial para mim. Com relação a maternidade, sempre foi algo que foi natural para mim, quando engravidei do Pedro logo no primeiro momento curtia e amava o fato de estar grávida e eu sempre quis ter filhas.

3) Capital em Foco – Como estão as crianças neste período incerto da pandemia? Como foi o processo de criação da nova rotina?

Bom, como aconteceu comigo e acredito que com todo mundo, eles estranharam e não foi fácil. No primeiro momento foi como se estivessem de férias, o não poder sair de casa foi “controlado” com a companhia que eles mesmos se proporcionam e comigo explicando o que estava acontecendo. Então cada um se ocupou a sua maneira: uns lendo, outros jogando, correria pela casa, obvio que o tempo de tela aumentou um pouco, mas eu o Kleber buscamos criar uma rotina de jogos de tabuleiro, assim tirávamos eles das telas e criávamos boas memórias de nós todos juntos rindo e se divertindo.

Quando as aulas online começaram, aí foi uma segunda “batalha”, porque agora eu precisava fazer com que eles levassem a sério a nova etapa, mas também eu tinha que entender que o contexto também era difícil para eles. Imagina se pra um adulto é complicado a disciplina de uma aula a distância, por que para as nossas crianças e adolescentes seria diferente?! Muita gente diz: “Se eles conseguem ficar horas jogando, eles conseguem passar horas tento aula”, sendo assim retruco com a seguinte pergunta: “Porque então que muitos de nós passam horas na frente da televisão, mas reclamam de 30 minutos de uma palestra online?” É preciso entender os contextos de cada momento.

Diante disso, a minha solução é fazer acordos. Eu preciso que eles entendam as responsabilidades e as consequências. Não faço chantagem. Minha educação é para que eles criem consciência do que precisam fazer para poderem fazer o que têm vontade. Dentro dos limites pessoais e sociais também.

4) Capital em Foco – Quando você olha para seus filhos, consegue identificar traços de sua personalidade nelas? Como isso é trabalhado no desenvolvimento e educação delas?

Para ser bem sincera, eu acredito que a gente empresta um pouco da nossa personalidade para os nossos filhos, mas lá em casa tem casos onde me relaciono com eles e outrora acho que me inspiro. Por exemplo: A Nanda tinha um medo de errar terrível, que eu facilmente me relaciono, porque na minha adolescência eu tinha pavor de errar, por exemplo em vez de fazer as aulas práticasde educação física, pedia para o professor me passar trabalhos teóricos. A Carol é de uma personalidade forte e questionadora, assim como meu filho João, que sim, podem ser traços meus, mas eu também aprendo com a força e os questionamentos que eles apresentam. O Felipe é um outro exemplo, ele que assim como eu tem traços de TDAH, observar a força de vontade do meu filho em ser quem ele é e em não ser “limitado” por ser diagnosticado é algo que me inspira bastante. A Duda e o Pedro, verdadeiros cuidadores. Então assim, eu sou uma mãe muito felizarda porque acredito que muito do que há de melhor em mim também vem dos exemplos que os meus filhos me dão. É uma troca constante. A gente se ajuda.

5) Capital em Foco – Quem te acompanha pelas redes sociais, te vê uma mulher muito realizada e com muitas tarefas. Como as crianças lidam com essa exposição e sua rotina?

É tudo mundo conversado. Minha maior preocupação é em não ultrapassar os limites pessoais deles. Então cada foto, texto e participação no meu trabalho é com o consentimento deles e claro, a exposição sobre a rotina e os problemas que toda criança e adolescente tem, também tem um limite que ai eu nem preciso perguntar porque eu mesma me nego a compartilhar. As vezes aquela foto combinada, vira uma birra porque a Bia cansou?! Sim, mas daí pedimos um tempinho para a equipe, conversamos com a Bia e tudo fica resolvido. Um exemplo disso foi uma live que fiz com Nanda sobre a primeira menstruação. Conversei com elas várias vezes até de fato fazermos e eu fiquei incrivelmente impressionada na vontade dela compartilhar um momento tão íntimo, com a consciência de que as palavras dela podem ajudar outras meninas na mesma situação.

Minha rotina não foge desse mantra dos acordos. Como procuro sempre começar a semana com tudo organizado no planner, meus filhos já sabem qual semana terei mais ou menos tempo para eles e buscamos sempre flexibilizar esse tempo para que melhor se adegue as necessidades deles e as minhas também. E eu preciso ficar atenta, tem hora que a gente muda tudo no trabalho porque tem um filho precisando de ajuda no dever de matemática ou mesmo de um abraço porque algo ocorreu com os amigos ou namorada. Importante dizer aqui que o tempo com eles também entra no planejamento da semana. Para podermos saber o que flexibilizar é preciso ter uma organização. Não gosto da ideia de estar com meus filhos somente “quando der” e sim eu decidir que quero estar com eles e pensar no melhor horário pra isso. Claro, falo da minha realidade e do meu contexto. Respeito todos as outras 7 bilhões de realidades e contextos.

6) Capital em Foco - Como Educadora Parental, criar uma criança hoje é mais fácil ou mais difícil que nas décadas passadas?

É diferente. Nas décadas passadas não tínhamos tantas informações e conhecimentos a disposição. Nossos pais tinham apenas a tradição como guia. Eles repetiam aquilo que para eles era passado através da criação que a eles foi dada. Não havia muito espaço para troca de informações e experiências fora daquela comunidade que eles foram criados. Então a quebra da corrente do que era negativo, de fato era muito difícil de acontecer, afinal você não tinha exemplos de outros meios os quais você poderia se inspirar. Não digo que nossos pais acertaram em tudo, mas sim, eles fizeram o melhor que podiam com o que tinha a disposição e com amor. A dificuldade de hoje não é mais a escassez de informação e sim o mal uso dessa informação. Não dá para você pegar o que eu falo e simplesmente aplicar na sua realidade sem respeitar o seu contexto. É extremamente errado assumir que porque algo funcionou com fulano vai facilmente e automaticamente funcionar com todo mundo. A Parentalidade é uma junção de tradição e estudos. Não há respostas prontas para a sua criação a não ser amor e respeito, mas como você vai aplicar depende do seu contexto, dos seus valores, do seu parceiro ou parceira e das características únicas que o seu filho tem.

Um exemplo claro disso é que se antes tínhamos uma criação autoritária, hoje muitas criações são permissivas e ambas causam grandes problemas para o futuro das nossas crianças. Isso é o resultado de uma quebra da tradição sem de fato observar contextos, pontos positivos e negativos, ou seja, uma ação feita sem os estudos corretos das tantas informações que hoje temos a disposição.

7) Capital em Foco - Qual é a sua dica principal quando o assunto é relacionamento pais e filhos?

Comunicação. Não há relacionamento sem comunicação e se comunicar não é apenas dar ordem do que o seu filho tem que fazer. Comunicação é saber ouvir, saber entender e responder com respeito, por mais que o problema do seu filho seja bobo para você, mas para o seu filho é algo importante e você precisa respeitar isso.

Muitos pais reclamam que os filhos não contribuem, mas quantos desses pais pararam para de fato conversar com seus filhos sobre essa contribuição? Quantos filhos sabem de fato da situação da casa? Tem pai que nem sabe do que o filho gosta, dos amigos, dos namoros, dos dilemas etc. Como pode haver um relacionamento dessa maneira?

Tem pai que só fala com o filho para cobrar nota, horário e cama arrumada. Não faz a mínima força para saber como foi o dia do filho, daí eu te pergunto, por que você iria ter um relacionamento saudável com alguém que não se importa com o seu dia? Já ouvi pais dizendo que se eles dão comida e casa para dormir, o filho não tem que reclamar de nada. Então te pergunto se realmente é possível existir um relacionamento positivo e amoroso sem que exista comunicação?!

Foto: arquivo pessoal


O Jornal Capital em Foco agradece a Julyana Mendes Caiado e toda sua familia pela entrevista e pelo singelo exemplo de dedicação, carinho e diálogo dentro do lar. Um abraço especial a todas as famílias e crianças que trazem esperança para o nosso futuro.




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