Foco no trabalho! Dr. Marcus Vinicius: A telemedicina e a consulta presencial

Atualizado: Abr 14

foto: Dr. Marcus Vinícius Henriques Brito



Por Silvana Scórsin - colaboração do portal guaranyjunior.com.br - guaranews


O portal guaranyjunior.com.br ouviu um dos mais competentes médicos do Pará e do Brasil, falando sobre telemedicina e sobre a pandemia do Coronavírus.Capital em Foco teve a honra de publicar a entrevista. Segue.


Conheça o Dr. Marcus Vinicius Henriques de Brito e suas respostas importantes na área de saúde.

Dr. Marcus Vinicius Médico paraense Especialidade: Cirurgião Geral, Diretor técnico da Clínica Unigastro Pará. Membro da câmara técnica de Ensino Médico do Conselho Federal de Medicina e Professor dos Cursos de Medicina UEPA, UFPA E UNIFAMAZ.

1. Como está vivenciando a pandemia do Coronavírus? Com bastante preocupação e tomando todas as precauções necessárias.

2. Por quanto tempo acredita que será a quarenta/isolamento? Segundo os estudos publicados até o momento, o ciclo vital do COVID 19 é de aproximadamente 3 a 4 meses, desde o aparecimento do 1o caso, até a fase de estabilização Epidemiológica, na qual 50% da população está infectada e a curva de novos casos começa a cair. Belém encontra-se de 30 a 45 dias atrás da curva de SP, logo devemos entrar na fase de maior acometimento no final de abril e início do declive no meio ou final de maio.

3. A telemedicina já está sendo usada no Brasil. Qual seu grau de eficácia? Sim. Vários centros de pesquisa e Universidades já atuam em telesaúde desde o início de 2000. Nos últimos 5 anos, devido a incentivos governamentais, difusão do método e as novas tecnologias de conexão e banda larga, temos visto um rápido crescimento na utilização desta ferramenta, levando cursos de atualização, assistência, telediagnóstico e a segunda opinião a diversos colegas que trabalham em locais longínquos de nossas capitais. Hoje temos a Rede Rute, que cumpre magnificamente este papel.

4. A telemedicina é um caminho sem volta? Acredito que sim. Cada vez mais, se entende sua necessidade e se normatiza seu uso de forma a levar informação e conhecimento a quem precisa, de forma ética e segura.

5. Vai ter equilíbrio com a consulta presencial? A consulta presencial a meu ver, ainda demorará muito para ser substituída pela telemedicina. Há ainda um enorme abismo a ser vencido pela inteligência artificial até que isso seja tecnicamente factível, e ainda assim, existirão ainda enormes barreiras psicológicas, religiosas e éticas até que seja viável sua implantação. O contato físico, o exame clínico e inúmeros dados semiotécnicos dificilmente, com a atual tecnologia poderão ser captados e interpretados por um robô como os conhecemos hoje.

6. Existe alguma restrição? Tem limites? Sim. Tanto tecnológicas, como éticas. Esta última é a mais difícil de ser solucionada.

7. Qual o grau de confiança do paciente? Isto irá variar muito de população para população. Em países mais tecnológicos está confiança no sistema já vem sendo exercitada. No Japão já temos robôs que decidem sobre inúmeros fatores da vida cotidiana. Hoje à IBM possui um programa chamado “Dr. Watson”, que trabalha com inteligência artificial e já é capaz de diagnósticos com 99% de precisão, e 1000 vezes, mais rápido que o raciocínio de um clínico. No entanto, o robô ainda não é capaz de interpretar sensações ou dilemas éticos, na sua tomada de decisão. Esta ainda é puramente matemática, o que pode ser desastroso na medicina. Nem sempre a ação de maior probabilidade, é a emocionalmente ou a eticamente correta.

8. Qual sua mensagem para a população sobre a telemedicina? A telemedicina veio para auxiliar na eficácia, no diagnostico, no prognóstico e no tratamento de nossos pacientes, no entanto, no dia de minha morte, quero estar segurando na mão de um ente querido… ou se não for possível… na mão de um médico que estará ao meu lado, me trazendo o conforto que esta hora requer.

Prof. Dr. Marcus Vinicius Henriques Brito.

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