8ª edição - do Jornal Capital em Foco

SERIA “MULHER” O REAL SIGNIFICADO DA PALAVRA FORÇA? CREIO EU QUE SIM!

Por Ricardo Perju

Falar da nossa história, sem olhar para a base dela é, no mínimo, loucura. Criado por mãe e avó durante muitos anos, tive o exemplo de força, determinação e coragem...  Há quem diga que as mulheres são o sexo frágil (clichê), já eu digo o contrário: o que seríamos de nós sem vocês, independentemente de qualquer coisa? Ao longo da minha vida, tive dois incríveis exemplos em casa, de como eu me tornaria um homem digno, responsável, de valores e determinado em conquistar o meu futuro, sem que eu trapaceasse na vida: minha mãe e minha avó. 

Minha mãe é aquela guerreira nata, que não mediu esforços para que eu conseguisse estudar. Minha avó, na ausência da minha mãe, por motivos óbvios, foi aquela que me ensinou diversos valores da vida, desde os mais simples aos mais complexos. Mamãe me teve aos 17 anos, muito nova e sem estudos. Passou por um casamento turbulento, mas me criou, dando-me tudo o que podia com o fruto do seu esforço... Ela me mostrou que para ser alguém na vida, eu precisava estudar, e muito! Mas ela não me mostrou apenas com palavras, pois me lembro bem de vê-la sair em busca de seus objetivos, para me dar um futuro melhor.

Responsável com os objetivos de vida, vendo-me crescer, fomentando a ideia de ser-humano ideal, foi criticada diversas vezes por me colocar em cursos, fazendo com que minha “infância” fosse deixada de lado. Mas nada disso a desanimou, tampouco me fez uma criança infeliz ou um adulto “sequelado” por não ter sido “criança”. Na verdade, vejo que fui criança sim, da maneira que deve ser uma criança crescida em uma vizinhança onde o crime, as drogas, e tudo de ruim nos rodeavam, mas com toda dificuldade que passou, lembro-me dela trabalhar na casa de uma tia para poder comprar os meus materiais da escola. Mamãe teve que parar os estudos por causa de uma otite que tive quando eu era criança. Quando retomou, eu a acompanhava em algumas aulas, era uma farra. Lembro bem da saudade que eu sentia dela, a ponto de sentir febre enquanto ela não chegava. A via voltar toda molhada das chuvas que pegava. Eu a vi sofrer. Eu a vi chorar. Eu a vi sorrir. Felizmente participei de tudo na vida dela. Ela jamais deixou sua cria.

Fez um curso técnico para se profissionalizar, começou a trabalhar em um hospital no entorno do DF, e com o pouco dinheiro que ela ganhava na época uns R$200,00, só isso mesmo – pagava a mensalidade do curso e o que sobrava comprava algo para mim. Acredito que nunca minha mãe pensou nela. Subindo alguns degraus, ela saía geralmente às 5h30 da manhã e retornava por volta de 00h00 para poder concluir a faculdade. Vi minha mãe se formar no técnico, na faculdade, concluir duas pós-graduações, e a persistência dela fez com que eu criasse uma admiração tão grande, a ponto de eu querer seguir seus passos. Sou grato!

Logo nos meus 7 anos de vida, meu pai e ela se separaram e fomos para casa da minha avó Dona Josefa que cuidou de mim enquanto mamãe estava na sua louca jornada. Ensinou-me a tomar banho direito, pegava meu pé e esfregava – faltava arrancar a sola com aquela bucha vegetal – me questionava sobre as atividades da escola, conversava comigo sobre as suas histórias da vida e tudo que tinha passado até ali. Era e é incrível quando sentamos e conversamos. 

Minha avó era faxineira, sem estudos, com uma “penca” de filhos e veio para Brasília para tentar algo melhor. Criou toda sua prole, trabalhou nas casas dos outros, empreendeu, desistiu, trabalhou mais um pouco e aposentou. Mostrou-me o que é força.

Hoje, aos 26 anos, me questiono se eu teria a força dessas grandes mulheres. Se eu seria ou serei para meus filhos, quando eu os tiver, pelo menos a metade do que elas são para mim. Sou sortudo de estar sempre arrodeado de vocês, e quando digo isso, não trago apenas os exemplos de casa, mas, também, minhas amigas, tias, professoras e colegas de trabalho. Obrigado a todas vocês!

 

Espero que o dia em que sejamos vistos com igualdade esteja bem próximo.  Vocês merecem atenção, amor, descanso, equidade e RESPEITO. Com amor de um grande admirador de suas lutas,

Um forte abraço!

 

Ricardo Perju

Bacharel em Secretariado Executivo

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