9ª Edição do Jornal Capital em Foco

OS SEM PLANETA!

 

 

Por Silvana Scórsin

Parafraseando com o filme infantil “Os sem florestas”, o título acima remete a uma situação vivida no planeta pela fauna e flora neste período de Pandemia. Para quem não assistiu ao filme, os animais, que estavam hibernando, quando acordam, veem-se fechados por uma cerca gigante, e não entrando nos méritos das mensagens de consumismo da sociedade americana, que o filme tenta passar, mas sim, no contexto da invasão das residências e cidades naquele habitat natural. 

Ocorre que, a milhares e milhares de anos, os seres humanos vem realizando essa proeza inconsequente em relação aos animais e as florestas, não lhes restando outra opção que não as demonstrações e sinais da mãe natureza como: furacões, enchentes, mudanças climáticas, derretimentos, terremotos e outros eventos característicos das ações humanas. 

Precocemente muitos puseram-se a falar no início da pandemia, sobre as mudanças de hábitos, de pensamentos, comportamentos e até de consciência dos seres humanos, mas passados alguns meses, o resultado visto em muitos cantos do mundo, tem-se mostrado contrário. Organizações não se entendem, blocos de países não se coordenam, manifestações populares, indiferenças e intolerâncias religiosas, ideológicas e políticas. Há uma certa incredulidade no ar em todo a plataforma global em relação a contaminação e a letalidade do COVID-19. Certo mesmo, serão as consequências: crises financeiras sem precedentes que irão gerar mais pobreza, desemprego e uma série de eventos colaterais de impactos ainda não previsíveis na camada mais vulnerável da humanidade. 

Em contrapartida, um dos eventos positivos que submergiram das relações humanas com o meio ambiente foi a coexistência. Em vários pontos de todo o planeta onde os seres humanos cumpriram mais de 4 semanas (e olha que foram somente 4 semanas!) de isolamento, foram flagrados cenas de recuperação ambiental das mais diversas formas, como: despoluição de lagos, mares, rios, ar, solo e de animais em ruas e jardins aparentando extrema tranquilidade e sossego. Especialistas mediram a atmosfera, e em alguns locais do planeta, como na Índia,registraram até 33% menos CO2 no ar. Em Nova Iorque, durante o isolamento social, onde fábricas ficaram fechadas, carros deixaram de circular e transporte público parado, a taxa de CO2 chegou a 50% menos. Porém, esses efeitos positivos geram apenas um cenário momentâneo e talvez não uma perspectiva de mudança de paradigmas. Isto porque o meio ambiente precisa de consciência. 

Quando falamos de mudanças como seres humanos, precisamos primeiro pensar se somos capazes de sermos coletivo, convivendo com respeito aos bens naturais comuns cada vez mais independentes de fronteiras, espaços e limites geográficos. Como no filme, os animais se unem para enfrentar uma nova perspectiva, e somente juntos, conseguem aprender a coexistir sem afetar e destruir os mundos, aprendem que o lixo dos “humanos” podem ser verdadeiros tesouros. E é! Antes da Pandemia, já buscávamos inúmeros destinos para o lixo produzido no planeta, tanto para resíduos orgânicos e sólidos. Em todos, a tecnologia já vinha avançando e vivenciando verdadeiras “epopeias” como a reciclagem, o artesanato, a produção de combustível e a reutilização, e o fantástico mundo da reciclagem eletrônica, mesmo em passos lentos, mas em significativa consciência de tempo e produção. 

Enfim, durante a Pandemia, ainda sem um cálculo exato, e considerando que famílias estão em casa, e que produzem mais alimentos, energia e comunicação, a geração desses resíduos será evidentemente maior, e que alguns hábitos poderão permanecer como o trabalho home office, contudo, a normalidade poderá trazer um cenário não tão positivo de impacto ao meio ambiente. Mais uma vez, então, sem consciência, sem união, seremos os sem planeta.

 

Silvana Scórsin

Mestre em Gestão e Avaliação de impacto ambiental e Especialista em economia e gestão empresarial

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